Cápsula de café?! Só se for brasileira, biodegradável e virar adubo em 4 meses

Cápsula de café?! Só se for brasileira, biodegradável e que vira adubo em 4 meses

Coloridas, charmosas, mas muito pouco sustentáveis. Quando foram lançadas no passado, as cápsulas de café rapidamente se tornaram populares no mundo todo. Ocupavam pouco espaço, ofereciam os mais diversos tipos de café para degustação e eram práticas. O “único” porém, que foi sendo descoberto com o passar do tempo, é que elas não eram recicláveis. Ou melhor, até poderiam ser, mas os consumidores simplesmente as jogavam no lixo.

Apesar de algumas empresas, como a gigante suíça Nespresso, estimularem a reciclagem das embalagem (elas podem ser entregues nas lojas), realmente poucas pessoas devolvem as cápsulas usadas.

Estimativas apontam que a venda desses produtos triplicou na Europa e Estados Unidos desde 2011. As máquinas de café estão presentes em 25% dos lares americanos e as cápsulas representam 1/3 de todo café comercializado naquele país.

Na Alemanha, o problema chegou a tal ponto que, em 2016, a prefeitura de Hamburgo proibiu o uso de cápsulas em prédios públicos. São 6 gramas de café e 3 gramas de embalagem. Nós, em Hamburgo, pensamos que isto não deve ser pago com o dinheiro dos impostos dos contribuintes”, disse a administração municipal na época.

Mas, será que os alemães mudariam de ideia se a cápsula fosse biodegradável, compostável e virasse adubo quatro meses após seu uso?

Pois a marca brasileira Orfeu Cafés Especiais, de Minas Gerais, desenvolveu uma cápsula feita com matéria-prima orgânica e renovável, um bioplástico, que pode ser descartado tanto em lixos orgânicos (aqueles caseiros mesmo), quanto em composteiras termofílicas e elétricas.

A cápsula feita com bioplástico, que pode ser descartada no lixo orgânico

Para criar o produto, que já é comercializado há pouco mais de um ano, a empresa investiu em muitos testes e pesquisas. Mas o resultado mereceu reconhecimento. A cápsula da Orfeu é a primeira no Brasil a receber o Rótulo Ecológico ABNT – o único programa de rotulagem ambiental nacional aprovado pelo Global Ecolabelling Network (GEN), que garante que o produto certificado é a melhor opção para o meio ambiente, em comparação a similares da mesma categoria. Na categoria de cápsulas de café, o selo exige não apenas que seu material seja biodegradável e compostável, mas também que envolva, no processo de sua fabricação, responsabilidade socioambiental, desde a plantação até a embalagem.

“Esta iniciativa é um dos diversos passos que damos diariamente para firmar um compromisso que nasceu conosco: cuidar bem do café, das pessoas e de nossa terra”, diz Amanda Capucho, diretora geral da empresa.

Ah, e para quem tem em casa uma máquina Nespresso, uma observação: as cápsulas brasileiras são compatíveis com ela! E outra dica: a Orfeu também comercializa cápsulas de café orgânico.

A marca brasileira, criada em 2005, cultiva seus grãos em fazendas nas regiões de Poços de Caldas e Botelho, em Minas Gerais, e São Sebastião da Grama, em São Paulo. Entre os muitos prêmios nacionais e internacionais já recebidos, essa companhia, genuinamente brasileira, ganhou por 24 vezes o Cup of Excellence, competição que reúne os maiores produtores do mundo.

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Fotos: divulgação Orfeu Café Especiais

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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