Canudo comestível e biodegradável é alternativa ao plástico

Canudo comestível e biodegradável é alternativa ao plástico

Aparentemente inofensivo, o canudinho virou outra praga ambiental. Só nos Estados Unidos, são usados 500 milhões de canudos plásticos por dia e no Reino Unido, mais 100 milhões. E assim como outros resíduos, eles acabam no mar, engolidos por animais, que morrem sufocados.

Feito geralmente de poliestireno ou polipropileno, o canudinho pode ser reciclado, mas como é muito pequeno e leve, assim como tampas de garrafa, por exemplo, frequentemente é jogado no lixo. Sua vida útil é estimada em 4 minutos. Isso mesmo, 4 minutos! E ele leva aproximadamente 400 anos para se decompor na natureza.

Pois os espanhóis Víctor Sánchez, Enric Juviña, Michael Baraffé e Carlos Zorzano decidiram que era hora de dar um basta nesse problema, ao mesmo tempo em que perceberam uma oportunidade de negócio. Eles criaram o Sorbos, um canudo comestível, biodegradável e reciclável!

“Eu trabalhava como bartender e pensei em fazer um produto que oferecesse uma experiência diferente ao consumidor, mas de maneira sustentável”, contou Sánchez ao Conexão Planeta.

Os canudos são feitos com açúcar, gelatina bovina e amido de milho. Atualmente eles podem (ou não) ser aromatizados com seis sabores diferentes: limão, lima, morango, canela, maçã verde, chocolate e gengibre. Se ingerida, cada unidade tem 24 calorias.

O canudo espanhol é comestível, biodegradável e reciclável

O grande desafio dos espanhóis foi desenvolver um canudo comestível e biodegradável que não se desfizesse em contato com líquidos. Depois de muitos testes, o Sorbos dura até 25 minutos em bebidas frias, nas geladas por cerca de uma hora. “Em nenhum momento ele muda o gosto da bebida. Este é um ponto essencial para entender o Sorbos”, diz Sánchez. “Levamos mais de um ano para conseguir uma formulação exata para que o produto cumprisse sua função de canudo, sem alterar o sabor da bebida e nem desmanchar”.

Baseada em Barcelona, a startup que fabrica o Sorbos já ganhou dois prêmios na Espanha, nas categorias de Inovação e Sustentabilidade. A empresa tem recebido pedidos de encomendas de países como Alemanha, França, Itália e está chegando agora, através de um parceiro comercial, em Portugal.  O preço da unidade ainda é mais caro do que a de um canudo de plástico, mas Sánchez acredita que com o aumento da produção, o canudinho comestível ficará cada vez mais barato.

O canudo tem seis sabores diferentes

Em setembro, mostramos aqui no Conexão Planeta, a campanha bem-humorada da organização americana Lonely Whale Foundation, chamada de Strawless Ocean (Oceanos sem Canudos), com a hashtag #StopSucking. Em inglês, o verbo suck tem um significiado dúbio: pode se referir tanto a chupar, como a encher o saco. A iniciativa quer alertar sobre o problema do lixo plástico nos oceanos, e mais especificamente, dos canudos (leia mais aqui).

Uma pesquisa realizada pela organização Ocean Conservancy listou os dez resíduos mais encontrados nas ações de limpezas de praia. Aqui estão eles:

  1. Bitucas de cigarro;
  2. Sacolas de plástico;
  3. Embalagens de alimentos;
  4. Tampas de plástico;
  5. Garrafas plásticas;
  6. Copos, pratos, garfos, facas e colheres plásticas;
  7. Garrafas (vidro);
  8. Latas;
  9. Canudos;
  10. Sacolas de papel

Então, enquanto ainda não temos uma alternativa ecologicamente correta como o Sorbos no Brasil, que tal dar um basta em canudos? Será que precisa mesmo usar o canudinho para tomar um suco?

Fotos: divulgação Sorbos

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

8 comentários em “Canudo comestível e biodegradável é alternativa ao plástico

  • 16 de novembro de 2017 em 3:57 PM
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    Nunca entendi muito bem o uso dos canudos. Mas lembro perfeitamente que antigamente havia uns canudos de papel…não seria tb o caso de trazê-los de volta?

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    • 16 de novembro de 2017 em 4:39 PM
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      Você tem toda razão, Gleyse! Será que precisamos mesmo de canudos? E sim, os de papel eram bem mais sustentáveis.
      Abraço,
      Suzana

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    • 21 de novembro de 2017 em 6:33 PM
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      O canudo da Sorbos em Portugal é mais barato que o de papel. Além disso o canudo de papel tem uma vida útil média de 2m, e o tempo médio de consumo de bebida é de 4m. As demais alternativas são os canudinhos de inox ou bambu, mas tudo com um custo superior e de difícil limpeza

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  • 17 de novembro de 2017 em 9:41 AM
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    Bom dia, 2 erros no texto.
    1o, canudos são feitos em PP, polipropileno.
    2o, alternativa para biodegradação no Brasil existe, represento a mesma ha 7 anos. O mercado que é desinteressado. Qualquer centavo que aumente o custo, ninguém quer, infelismente. Nossa tecnologia recicla e biodegrada em aterros sem mudar as propriedades fisicas de qualquer produto normal.
    http://www.goecopure.com

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    • 18 de novembro de 2017 em 8:36 AM
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      Celso,
      Obrigada pela mensagem!
      Canudos podem ser feitos tanto com poliestireno quanto polipropileno.
      Bom saber que já existem empresas no Brasil fazendo o trabalho de biodegradação. Parabéns!
      Abraço,
      Suzana

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  • 21 de novembro de 2017 em 6:28 PM
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    Eu sou um dos representantes da Sorbos em Portugal e posso adiantar que estamos a trabalhar para levar o produto para o Brasil, mas as vossas taxas dificultam e muito a entrada no mercado. Suzana faltou no seu artigo evidenciar as vantagens do canudinho. O mesmo serve para evitar que a bebida entre em contacto directo com os dentes e os manche, ou no caso da caipirinha para que o gelo não lhe toque nos lábios e cause uma sensação desagradável, serve para evitar que se suje, principalmente as crianças pequenas ou mesmo para conseguir tomar a sua bebida como uma água de côco.

    Resumindo, oferecer um valor acrescido, convertendo o descartável em conteúdo sustentável através da inovação.

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  • 11 de dezembro de 2017 em 3:00 PM
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    gente substituir plastico por gordura animal nao eh legal…

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