Canadá altera letra do hino nacional para respeitar neutralidade de gênero

Os conservadores tentaram impedir, mas, na semana passada (31/1), o Senado aprovou o projeto de lei que altera trecho do hino O Canadá, com o intuito de respeitar (e incluir) todos os gêneros. De autoria do deputado Mauril Bélanger, do Partido Liberal, a proposta foi apresentada em 2016. Ele dizia que essa pequena mudança “asseguraria que mais de 18 milhões de mulheres canadenses estejam incluídas no nosso hino nacional”. Vale ressaltar que ele esqueceu de considerar outros gêneros, como homossexuais, trans etc, então, a inclusão, na verdade, é ainda maior.

Na época, sua reivindicação foi derrubada por políticos conservadores que disseram que uma pesquisa indicava que 65% dos canadenses se opunha à mudança. Bélanger não desistiu e apresentou novamente seu projeto, só que, desta vez, os liberais lançaram mão de sua maioria no Senado para derrubá-lo novamente. No final desse ano, ele foi diagnosticado com a doença de Lou Gehrig e morreu em 2016. Deixou um bom presente para o futuro dos canadenses.

Mas, para virar lei, entrar em vigor, ainda falta um passo: sua aprovação pela governadora-geral, Julie Payette, que é quem representa oficialmente a monarquia britânica no país.

Mas, afinal, o que muda no hino?

Ele foi escrito originalmente em francês, mas a mudança vale apenas para a versão em inglês porque a expressão alvo do projeto de lei só existe nesta língua. Trata-se de ‘thy sons’ (vossos filhos) – que aparece na segunda linha e se refere apenas a filhos do sexo masculino – foi trocada por ‘all of us’ (todos nós).

Mas a reivindicação para que a letra do hino nacional canadense fosse alterada não é recente. Na verdade, aconteceram algumas manifestações até o resultado da votação no Senado.

A letra em inglês foi escrita no início do século XX, em 1908, por Robert Stanley Weir e não tinha esse trecho – a palavra ‘sons’, para ser mais exata -, que foi incluído anos mais tarde, em 1913. E foi aí que as manifestações começaram: foram apresentados, na Câmara dos Comuns, cerca de doze projetos de lei pedindo sua substituição.

Além disso, desde 2013, um grupo de mulheres canadenses – incluindo a escritora Margaret Atwood e a ex-primeira ministra Kim Campbell – lidera campanhas nesse sentido. Naquela época, a escritora deixou claro que “Restaurar a letra para que ela respeite a neutralidade de gênero não é apenas uma solução para tornar nosso hino inclusivo para todos os canadenses, mas (deve ser feito) também porque se trata de algo retrógrado”.

Neste momento conservador em que vivemos, com tanta intolerância e preconceito, é mais que urgente evitar o uso de mensagens que não promovem a inclusão. Na semana passada, feliz da vida, Atwood celebrou a decisão em seu Twitter. O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, também se manifestou na mesma rede social. Veja abaixo o que os dois escreveram:

 Fonte: The Guardian e CNN

Foto: Creative Commons

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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