#VisibleHate: campanha comovente denuncia crimes de ódio contra pessoas de aparência incomum

Mais de um quarto das pessoas com deformidade facial (28%) são vítimas de crimes de ódio: olhares e xingamentos, abuso e bullying. Destas, 70% não fizeram denúncia por medo ou vergonha. Metade perdeu a confiança, mais de um terço (35%) se sente ansiosa/o sempre que sai de casa, e mais de um quarto (27%) disseram que sua saúde mental está abalada. A maioria dos abusos acontece em público, mas uma em cada dez pessoas deformadas é assediada repetidamente nas redes sociais por desconhecidos. Estes são alguns dos dados da pesquisa realizada pela instituição britânica Changing Faces, que embasam sua nova campanha online contra crimes de ódio: Hate Crime – #VisibleHate (Crime de Ódio – #ÓdioVisível).

A pesquisa foi realizada com mais de mil pessoas com alguma diferença visível – mancha, marca ou cicatriz, deformidade -, e é o primeiro estudo a revelar um cenário preciso de como essas pessoas são afetadas pelo crime de ódio. A instituição destaca que, sofrer esse tipo de hostilidade e abuso, pode ter impacto duradouro em suas vidas e provocar distúrbios graves em sua saúde mental.

Devido à gravidade da situação, a Changing Faces produziu vídeo comovente em que seis pessoas portadoras de deformidades faciais, revelam as abordagens grotescas que sofrem diariamente. Reproduzo algumas delas, a seguir.

“Monstro”, “Mutante”, Se eu fosse você, me mataria”, “O que há de errado com seu rosto?”, “Que vergonha essa marca de nascença!”, “Um rosto que só uma mãe pode amar”, “Seu visual é nojento”, Parece que você foi atropelado por um tanque”, “Para trabalhar aqui, você precisa ser bonita”, “Isso é contagioso?”.

O vídeo, que você pode assistir no final deste post, faz parte de sua nova campanha, apoiada por empresas de mídia social como Twitter, Instagram e Facebook.

Falta empatia, igualdade e educação

O ator e apresentador Adam Pearson (na foto que ilustra este post) é um dos protagonistas do filme. Ele revela que, à vezes, é muito difícil lidar com algumas agressões verbais. “Fui abusado na rua, mas também sofro com manifestações de ódio online. Algumas pessoas me dizem ‘saia da mídia social’, mas isso não é uma solução. Por que as vítimas de abuso devem ser removidas das plataformas de mídia social? Isso as colocaria no ostracismo!”. E completou:

“Precisamos divulgar o impacto do crime de ódio e cultivar um cenário online onde pessoas como eu possam existir e se envolver sem serem atacadas simplesmente pela aparência que têm. Isso é sobre empatia, igualdade e educação”.

Pearson também apoia a campanha The Disability Collection (A Coleção da Deficiência, em tradução livre), que reúne a agência Getty Images e as parceiras Verizon Media e a National Disability Leadership Alliance e oferece imagens para “quebrar estereótipos e retratar com mais autenticidade as pessoas com deficiência”.

Em seu site, a Getty explica a ideia do projeto, salientando que tem trabalhado há mais de uma década para quebrar estereótipos em todos os sentidos por acreditar que a imagem pode mudar o mundo: “… temos trabalhado para criar uma visão visual mais autêntica de conceitos como gênero, LGBTQ, religião, raça, doença mental e deficiência em mídias, publicidade e mídias sociais. Assim como as imagens têm o poder de moldar idéias, acreditamos que elas têm o poder de mover o mundo – elevando diversas narrativas que podem alterar percepções, evocar empatia e criar comunidade”. Muito lindo!

“Ninguém deve ser abusado por causa de sua aparência

Em seu site, a CEO da Changing Faces, Becky Hewitt, destaca: “É terrível que, em 2020, as pessoas ainda estejam sofrendo abuso e assédio por causa de sua aparência. Pela primeira vez, essa pesquisa nos mostra quantas pessoas são afetadas por crimes de ódio relacionados à aparência e pelo impacto que isso pode ter em suas vidas”.

Ela espera que a campanha ajude a acabar com o ódio, “dando a essas pessoas a confiança e os métodos para denunciar abusos. Pedimos ao público, em geral, que nos apoie e denuncie esses crimes de ódio para que sejam reconhecidos e banidos”. Em artigo para o site Telegraph, sentenciou: “Ninguém deve ser abusado por causa de sua aparência”.

Agora, assista ao vídeo #VisibleHate: juntos, podemos vencê-lo!”, com legendas em inglês:

Foto: Reprodução do vídeo

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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