Calor recorde em fevereiro choca cientistas

calor recorde em fevereiro choca cientistas

Mês após mês, é a mesma e triste notícia. No último sábado (12/03), a Agência Espacial Americana (Nasa) divulgou relatório em que afirma que fevereiro de 2016 apresentou a temperatura mais alta para este mês do que a média registrada entre os anos de 1951 e 1980.

De acordo com o levantamento da Nasa, a temperatura das superfícies da Terra e dos oceanos ficou 1,35o C acima da média para o mês. No artigo intitulado Fevereiro arrasa com os recordes de calor da Terra de todos os tempos com uma margem de cair o queixo” (em tradução livre), os cientistas do clima Jeff Masters e Bob Henson admitiram estar chocados com a notícia.

Sabia-se que este começo de ano seria mais quente devido à influência do El Niño. Considerado em 2016 como um dos mais fortes das últimas décadas, o fenômeno natural é causado pela desaceleração dos ventos alísios, que sopram na região do Equador. Sem eles, o calor se intensifica nos oceanos, já que as águas não se movimentam.

Todavia, comparado com fevereiro de 1998, quando o El Niño foi tão forte quanto agora, ainda assim, o mês passado foi mais quente.

calor em fevereiro choca cientistas

Fevereiro de 2016: o mais quente registrado nos últimos 65 anos

A notícia fica ainda pior quando se leva em conta o mês em que foi anunciada. Geralmente, os picos das altas temperaturas na Terra são registrados no período do verão no Hemisfério Norte, ou seja, em julho e agosto, já que a maior concentração de massa territorial do globo está localizada acima da linha do Equador, desta maneira a temperatura do planeta é mais afetada quando é mais calor nesta região.

As temperaturas atípicas do mês passado foram sentidas no Alaska, nas áreas central e oeste do Canadá, assim como no leste da Europa, Escandinávia e Rússia.

Apesar deste novo recorde, em fevereiro último, julho de 2015 ainda continua sendo considerado o mês mais quente da história, ou seja, desde quando este tipo de medição começou a ser feita, em 1880.

Superaquecimento no Ártico

Como é possível ver através do mapa abaixo, divulgado pela Nasa, a região Ártica (onde aparecem as manchas em vermelho escuro) foi a que apresentou alguns dos maiores picos nos termômetros no mês de fevereiro, chegando a atingir até 4oC a mais do que a média para esta época do ano.

mapa da Nasa mostra calor em fevereiro de 2016

Entre as causas para as temperaturas acima do normal no Ártico, cientistas apontam interações entre massas de ar quente e correntes de água – também quente – vindas do norte do Oceano Atlântico. Nos mares de Barents e Kara, ao norte dos países escandinavos e ao oeste da Rússia, a extensão de gelo observada foi menor do que os índices normalmente aferidos em fevereiro.

Desastres naturais provocados pelo calor extremo

Além do Ártico, outras regiões do planeta foram afetadas pelas temperaturas altíssimas do mês passado. Na África, o Zimbábue atravessa uma seca histórica. Dados do relatório mensal de catástrofes da seguradora internacional AON  revelam que o país teve US$ 1,6 bilhão de prejuízo, aproximadamente 12% de seu PIB, com a queda na lavoura, atingida pelo calor.

Da mesma maneira, estão sofrendo os agricultores do Vietnã, na Ásia, que não conseguem colher nada. Lá a perda da economia já chega a US$ 6,7 bilhões. Por último, um ciclone de categoria 5 (classificado como o mais alto, com ventos com velocidade superior a 249 Km/h)  provocou grande prejuízo na Ilha de Fiji, no Pacífico Sul, no mês passado. Milhares de pessoas ficaram desabrigadas, sem água e acesso a serviços de saúde.

Como fica claro, as mudanças climáticas sempre atingem os países mais pobres e as populações mais vulneráveis, que são diretamente impactadas pelos extremos do clima.

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Foto: Félipe González/Creative Commons/Flickr e imagens Nasa

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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