Califórnia pode punir, com multa ou prisão, garçons que oferecem canudos em restaurantes

A “guerra” contra o uso de plásticos está cada vez mais acirrada. Também contra os plásticos de uso único, como canudos, colherinhas de café, pratos, copos e outros produtos criados para ‘facilitar a vida’ e para atender exigências equivocadas de órgãos de controle como Anvisa (para ela, é melhor sugar o líquido por um tubo de plástico do que tomá-lo direto do copo porque este pode estar mal lavado; mas qual processo garante mais higiene, não?).

Em alguns países, como a Costa Rica (pioneira) e a Bélgica (o primeiro país da União Europeia a testar nova conduta), eles estão sendo banidos com multas, como já noticiamos aqui, no Conexão Planeta. Quem quiser oferece-los em seu estabelecimento, paga por seu impacto no meio ambiente.

Agora, parece que é a vez da Califórnia agir contra essa praga. Digo ‘parece’ porque o Projeto de Lei do democrata Ian Calderon, líder na Assembleia desse estado, é um pouco polêmico já que foca apenas em restaurantes – deixando fast foods de fora! – e nos garçons, isentando os donos dos estabelecimentos. Ora, se há canudos disponíveis neles, é porque alguém os comprou com a autorização do dono, certo?

Calderon diz que seu projeto não contemplava penas tão radicais, que foram adicionadas depois que o texto foi apresentado: elas vão do pagamento de multa no valor de US$ 1 mil a seis meses de prisão, mas o critério para aplica-las também não está claro. Em mensagem em seu Twitter, ele garantiu que sua intenção não é punir, nem banir os canudos de uma vez, mas, sim, conscientizar a população. Neste caso, o canudo só será oferecido se o cliente pedir. De radical, ficou leve demais, não?

Se passar pela votação dos parlamentares, o PL de Calderon ainda terá que ser aprovado pelo governador da Califórnia, Jerry Brown, e isso pode levar cerca de dois meses. Claro que leis ajudam na adoção rápida de boas práticas: “se não vai por bem, vai por mal”. Nos casos da Costa Rica e da Bélgica (decisão coletiva da União Europeia, na verdade, que escolheu Bruxelas para iniciar essa campanha), as leis têm sido essenciais, mas precisam contemplar todos os envolvidos.

De qualquer forma, independente da lei, o uso de canudos, colherinhas de café, garrafas plásticas e outras ‘pragas’ de plástico na Califórnia pode ser reduzido ou banido pelos próprios donos de restaurantes, cafés e lanchonetes, e também pelos consumidores. É o que vem acontecendo em algumas cidades americanas.

Os Estados Unidos consomem cerca de 500 milhões de canudos plásticos por dia! De olho nisso, cidades como Manhattan Beach, Santa Cruz, Berkeley e Los Angeles e estabelecimentos em Miami e Nova York já estão agindo para reduzir ou banir o uso dos canudos sem necessidade de legislação, segundo o jornal Chronicle.

Em 2017, a cidade de Seattle aderiu à campanha Strawless in Seattle (da iniciativa Strawless Ocean sobre a qual já falamos aqui) e votou pela proibição do uso dos produtos de plástico de um único uso até julho deste ano. Para tanto, além da conscientização da inutilidade de tais utensílios, estabelecimentos que vendem alimentos ou bebidas deverão trocar estes por opções biodegradáveis (o canudo Sorbos, criado por espanhóis, que mostramos aqui, seria perfeito) ou compostáveis.

Nós, do Conexão Planeta, apoiamos todas as iniciativas contra o consumo de plásticos pelo Brasil e pelo mundo. É só ver a lista de notícias que selecionei, abaixo, e também revelam o mal que eles causam aos oceanos e seus habitantes:

Foto: Domínio público/Pixabay

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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