Caçadores se tornam protetores de tartaruga ameaçada no Camboja

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Comunidade no Camboja solta 21 tartarugas criadas em cativeiro na natureza. – Foto: Thida Leiper

Um ambicioso projeto internacional decidiu pagar coletores de ovos para se tornarem “guarda-costas” de tartaruga ameaçada no Camboja. O objetivo é salvar a espécie Batagur affinis da extinção ao mesmo tempo em que a população local se envolve e compreende a importância da preservação do animal, cujo ovo é muito apreciado.

Idealizado pela ONG Wildlife Conservation Society (WCS), em parceria com o governo do Reino, o trabalho consiste em proteger os ninhos de caçadores e monitorar se algum ovo eclodiu. Quando nascem, as tartarugas-bebê são levadas para a cidade de Sre Ambel, onde são criadas em cativeiro, a salvo de predadores e outras ameaças, como redes de pesca.

O projeto deu tão certo que mais de 150 pessoas – entre elas, aldeões, representantes do governo, ambientalistas e monges – reuniram-se, em julho, para celebrar a sobrevivência e a reprodução das tartarugas. O envolvimento de líderes religiosos na causa ajudou a aumentar a participação popular, afirmou a ONG.

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Monges budistas participam de cerimônia para abençoar tartarugas antes de soltá-las na natureza. – Foto: Allan Michaud

Na ocasião, 21 animais criados em cativeiro foram soltos em seu habitat natural: as águas cristalinas do rio de Sre Ambel, no sudeste do Camboja. Foram as primeiras tartarugas do projeto a serem soltas na natureza, todas com seis e sete anos de idade. Como não se sabe exatamente quando elas atingirão a maturidade sexual, a WCS continuará monitorando a população e pretende aumentar o número de tartarugas no rio.

Abaixo, assista ao vídeo da ação (em inglês):

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Tartaruga real. – Foto: Thida Leiper

Tartaruga real

Comum no sudeste asiático, a Batagur affinis vive em água doce. Os cambojanos têm um apreço especial pelo animal: conhecida como “tartaruga real”, a espécie foi declarada propriedade do rei e é considerada um símbolo nacional.

No entanto, estima-se que existam na natureza, apenas, entre três e cinco fêmeas reprodutoras. Isso faz com que ela figure na vergonhosa lista das espécies de tartaruga mais ameaçadas do mundo. Segundo a WSC, antes de serem excessivamente caçadas, as tartarugas reais eram os maiores herbívoros do rio de Sre Ambel, importantes para a saúde de todo o ecossistema e da cadeia alimentar.

Declarada quase extinta, agora, a tartaruga real tem uma nova chance de sobrevivência.

Marina Maciel

Jornalista, Marina escreve sobre meio ambiente para diversas publicações brasileiras desde 2011. Já colaborou para veículos como Superinteressante, Exame, VEJA, VEJA SP, M de Mulher, Casa Claudia, VIP, Cosmopolitan Brasil, Brasil Post, National Geographic Brasil, INFO e Planeta Sustentável.

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