Britânicos vão receber dinheiro em troca da devolução de garrafas e latas de alumínio

Britânicos vão receber dinheiro em troca de reciclagem de garrafas e latas de alumínio

Pelos últimos dez anos, organizações ambientais do Reino Unido têm feito campanha para que o governo aprovasse um sistema de compensação para a devolução de latas de alumínio e de garrafas PET e de vidro. Finalmente, esta semana, todo o esforço foi recompensado com o anúncio do ministro do meio ambiente, Michael Gove, de que uma iniciativa nacional entrará em vigor.

O sistema, já implementado em diversos países do mundo, se mostra extremamente bem-sucedido nestes lugares. Na Alemanha, por exemplo, em funcionamento desde 2003, a taxa de reciclagem de garrafas plásticas chega a 99%.

Na prática, máquinas de retorno são instaladas nos locais de vendas desses produtos e os consumidores podem depositar as garrafas e latas e em troca, recebem uma pequena quantia de dinheiro, geralmente poucos centavos. Os supermercados e lojas ficam então responsáveis pela reciclagem correta desses materiais. É o conceito da chamada logística reversa, pela qual existe uma responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.

Atualmente, apenas 43% das 13 bilhões de garrafas plásticas vendidas por ano, no Reino Unido, são recicladas. E estima-se que 700 mil delas sejam jogadas no lixo todos os dias. Sim, diariamente!

Em janeiro deste ano, a primeira ministra Theresa May anunciou um plano de combate ao plástico. Entre as medidas estavam a criação de corredores “livres de plástico” nos supermercados, com alimentos vendidos sem embalagens, a cobrança de embalagens de uso único, como quentinhas, e nova taxação sobre sacolas plásticas.

“Não temos dúvidas de que o plástico está causando estragos em nosso ambiente marinho”, afirmou Gove. “É absolutamente vital agirmos agora para enfrentar esta ameaça e fazer com que os milhões de garrafas plásticas sejam recicladas”.

Antes de entrar em operação, o novo sistema passará por um processo de consulta pública.

Suécia, Dinamarca, Noruega e Suíça são alguns dos países que já adotam o sistema de retorno de garrafas e latas há muitas décadas. Neste último, onde morei durante quatro anos, não há pagamento pela devolução. Mas existem máquinas em todos os supermercados e os suíços já estão acostumados a usá-las para reciclar garrafas de refrigerantes, sucos, leites. Na verdade, eles não recebem dinheiro por isso, mas economizam de outra maneira. Lá se paga caro (bem caro) pelo saco de lixo, que só é recolhido se tiver o selo oficial. Ou seja, para não gastar muito, o ideal é reciclar o máximo possível e descartar somente o estritamente necessário nos caros sacos.


Máquina de reciclagem de garrafas e outros resíduos em supermercado na Suíça

Já na Suécia, 99% do lixo residencial – ou seja, praticamente tudo o que é gerado pela população em suas casas -, é reciclado. E o sistema de devolução de garrafas, implementado em 2006, garante que mais de 85% destes resíduos tenham o destino correto. No ano passado, o país iniciou um teste piloto com máquinas também para que as pessoas devolvam sacolas plásticas.

Leia também:
Em apenas seis meses, ingleses deixam de usar 6 bilhões de sacolas plásticas
Maior festival de rock da Inglaterra bane garrafas plásticas
Onde foram parar as 1,1 bilhão de garrafas plásticas produzidas pela Coca-Cola no ano passado?
Um milhão de garrafas plásticas são vendidas por minuto no planeta

Foto: ZeroWasteScotland/Creative Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Deixe uma resposta