Brincar com fogo na infância é preciso

Em dias frios, queremos logo nos esquentar. Para nós que adoramos brincar com a natureza, esta é a época do ano perfeita para brincar com fogo.

Como já falamos em outro post, aqui, neste blog, brincar com fogo na infância é muito importante para que as crianças aprendam sobre limites, segurança, cuidar de si mesmas. Além de provocar a contemplação. O primeiro contato mais próximo com o fogo que uma criança tem, provavelmente acontece com sua vela de aniversário. Você já reparou no olhar dos bebês para a vela neste momento? É de encanto, de assombro, de curiosidade.

Mas como brincar com fogo sem se machucar?

Primeiro, é preciso que o adulto que vai propor a brincadeira para as crianças esteja tranquilo e seguro do que está fazendo. Esta é a melhor maneira de começar qualquer ação.

É sempre importante cuidar da segurança das crianças. Isso pode acontecer já a partir de uma conversa com elas, ao explicar o que vai acontecer de maneira direta, clara, contando apenas os fatos.

Fique atento ao espaço para identificar se não há nada nas proximidades que possa espalhar o fogo como tecido, papel ou plástico.

Observação de velas e sombras

O primeiro contato das crianças com o fogo podem feito por meio da observação de velas. Se estiver em um local fechado, apague todas as luzes, deixe o ambiente escuro e acenda as velas.

Faça isso de preferência sobre superfícies de metal ou cerâmica. Ao olhar a chama da vela as crianças podem perceber cores, movimentos, momentos em que a chama diminui e aumenta, a vela derretendo… Se tiver velas de cores diferentes, a parafina derretida cria formas impressionantes que também podem ser observadas.

Esse ambiente é propício para pesquisar sombras também. Ver as silhuetas na parede, inventar formas, usar a imaginação para criar personagens e histórias. A sombra produzida pela chama é diferente da produzida por uma lanterna. Faça um teste e veja as diferenças de luz e movimento.

Fogueira, uma construção coletiva

Imagine fazer uma fogueira junto com as crianças é uma ótima brincadeira! Mas é muito importante que as crianças participem dessa construção coletiva. Coletar folhas secas, gravetos, saber diferenciar quando está úmido e quando está seco, organizar os itens na estrutura da fogueira.

A estrutura está pronta? Então, é hora de sentar ao redor da fogueira para observar, contar histórias, conversar… Vale também propor uma bela sessão de cantoria, como mostra a imagem que ilustra este post e que foi feita na da Escola Arapoti, localizada em Santana do Parnaíba, em São Paulo.

Fogão a lenha: mutirão e alegria

Essa é outra possibilidade para convidar as crianças para lidar com fogo. E existem muitas formas de fazer isso. Desde empilhar tijolos e criar o formato do fogão, deixando entrada para a lenha e para o oxigênio, até construções mais elaboradas com barro.

Em Londrina, no Baobá Vivências pelo Brincar, as famílias se reuniram para construir um fogão a lenha com barro (veja as fotos no final deste post). Ana de Lucca, idealizadora do espaço educativo, contou como tudo aconteceu. Enquanto a massa era feita, as crianças transitavam pelo espaço. Algumas ajudavam a amassar o barro com os pés, outras simplesmente observavam. Ana relatou o sentimento que aflorou nesse movimento:

“Durante o processo de construção do forno, surgiram muitas memórias dos tempos da infância, dos avós… Foi lindo de ver o mutirão e a alegria dos pais em construir com as mãos algo para compartilhar com suas crianças”.

Desde a pré-história, o fogo teve um papel fundamental na descoberta do quanto é gostoso estar ao seu redor com as pessoas que a gente gosta. Afinal, o fogo aquece a convivência, provoca o estar junto, a compartilhar histórias. E nos ajuda a lembrar que somos uma grande e única família!

Fotos: Arquivo Escola Arapoti e Arquivo Baobá

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto “Ser Criança é Natural” para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

Ana Carolina Thomé e Rita Mendonça

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto "Ser Criança é Natural" para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

Um comentário em “Brincar com fogo na infância é preciso

  • 16 de junho de 2018 em 1:21 PM
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    Será preciso mesmo, absolutamente indispensável brincar com fogo na infância ou em qualquer idade ou pode-se pular o quesito PERIGO das brincadeiras, porque nem sempre um adulto estará perto e o pirralho vai querer repetir sozinho a receita riscando fósforos, acendendo velas, fogueirinhas e aí, quem vai segurar essa batata quente e descascar o abacaxi, hein? Corpo de Bombeiros está careca de atender crianças queimadas, não por brincadeiras, mas porque a mãe pobre deixou a vela acesa, ela caiu e incendiou o barraco, nem sempre salvando crianças e adultos. Velas acesas espalhadas pela casa, para ” criar um clima” ou aos pés do “santinho” pedindo proteção, a meu ver, é uma prática que não deve ser incentivada, muito ao contrário, brincadeiras com fogo, armas, frascos de álcool e pesticidas, infelizmente, correm o risco de parar nas manchetes de jornais e o resultado, mesmo sendo uma brincadeira, não tem graça nenhuma e nem vale botar a culpa no “santinho” porque ele também ficou queimado.

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