Brincar com a natureza… em qualquer estação

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outono já chegou, oficialmente, mas as frentes frias ainda não começaram a marcar presença na maior parte do país. E é curtindo os dias quentes de um verão que ainda não se despediu de São Paulo, que escrevo este texto. É inevitável: em algum momento desta estação, as temperaturas vão cair. E tempo frio, para muitos, é sinônimo de ficar dentro de casa.

Estar do lado de fora, em qualquer temperatura, foi uma das maiores motivações para escolher o mês de janeiro para viajar para a Inglaterra e conhecer as escolas da floresta.

Como já mencionei muitas vezes, aqui no blog, também sou professora de Educação Infantil em escola pública. E, nos estudos que realizo sobre o tema criança e natureza, é fato que ele reflete diretamente nas minhas ações no trabalho – e não poderia ser diferente. Na minha rotina, sempre procurei estar do lado de fora, seja para brincar, cantar, contar histórias ou desenhar com os pequenos. Estar do lado de fora é possível em qualquer situação. E quando o tempo está muito gelado, agasalho bem as crianças e lá vamos nós brincar no frio, do lado de fora. E, sim, já me deparei muito com olhares de reprovação por parte de outros educadores e funcionários da escola.

Há muito tempo observando e acompanhando tudo que se comenta sobre as escolas da floresta nas redes sociais, notei que crianças e educadores estão SEMPRE do lado de fora. Por isso, quis ver o que acontecia de perto, saber como isso era possível, como é a relação das crianças e dos educadores com as intempéries e o frio.

Em solo inglês, o inverno tem temperaturas muito mais baixas que no Brasil. A temperatura mais baixa que vivenciei foi 0°C com sensação térmica de -5°C. Para enfrentá-la, a equipe de uma das escolas que me recebeu me preparou fazendo uma lista com as roupas que eu deveria usar. E esse foi meu principal aprendizado: não existe tempo ruim, o que existe é a roupa certa.

As roupas são, sem sombra de dúvida, o material mais importante das escolas da floresta. São elas que garantem que as crianças estejam preparadas para o mundo: com temperaturas agradáveis, com peças impermeáveis para que possam explorar tudo sem preocupações e de forma confortável para realizar os mais diferentes movimentos, sem impedimentos.

No inverno, é preciso vestir-se em camadas. Não tem jeito. As crianças usam roupas de borracha impermeável, que muito lembra aquelas roupas de pescadores de alto mar. Macacão, jaqueta e botas térmicas e à prova d’água compõem a camada superior, enquanto roupas térmicas cuidam de aquecer por dentro. Gorro e luvas fazem parte do vestuário. Assim, elas partem para suas aventuras na floresta: aquecidas, impermeáveis e prontas para desbravar o mundo que exite à sua frente, o dia todo.

E quando chove? Já me fizeram essa pergunta inúmeras vezes. Oras, quando chove, chove! E a brincadeira continua! Até porque já estão preparados para isso. Claro que as educadoras têm uma preocupação maior nesse dia para garantir que as crianças se mantenham aquecidas – e ao se molhar, o corpo perde temperatura. Nos dias chuvosos, as crianças recebem orientações para não tirarem gorros ou luvas, por exemplo. Mas ninguém é obrigado a ficar exposto às intempéries. Por isso, tendas são montadas no acampamento caso alguma criança queira brincar mais protegida.

E, assim a brincadeira segue, o dia todo, faça chuva ou faça sol, esteja quente ou frio.

A natureza é única. Vivenciá-la nas diferentes estações do ano dá às crianças oportunidade de aprender muito mais. Elas precisam explorar, descobrir, se expressar e se movimentar, vivenciando o meio natural exatamente como é.

Ah… e muito se engana quem pensa que o frio favorece gripes e resfriados. Na verdade, essas doenças têm maior probabilidade de se propagar em ambientes fechados e com bastante gente. Crianças que brincam em espaços externos, em meio a natureza, são mais saudáveis, não só porque o ambiente é aberto, mas porque respiram ar puro. Quando as crianças estão frequentemente expostas a essas condições, desenvolvem seu sistema imunológico e ficam menos propensas a alergias. O corpo gosta da natureza.

E aí? O tempo hoje está bom para brincar lá fora? Sempre está!

É pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica. Participa de diversas formações sobre primeira infância, brincar e arte para crianças e coordena o programa Ser Criança é Natural (que dá nome a este blog), do Instituto Romã, que incentiva o contato das crianças com a natureza. Organiza a ação Doe Sentimentos e acredita no poder da infância e que o mundo pode ser melhor.

Ana Carol Thomé

É pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica. Participa de diversas formações sobre primeira infância, brincar e arte para crianças e coordena o programa Ser Criança é Natural (que dá nome a este blog), do Instituto Romã, que incentiva o contato das crianças com a natureza. Organiza a ação Doe Sentimentos e acredita no poder da infância e que o mundo pode ser melhor.

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