Brasileiro é um dos premiados no Pulitzer de Fotografia por registro da crise de refugiados

foto refugiados

Ao lado de outros três colegas de profissão, o fotojornalista brasileiro Mauricio Lima foi um dos vencedores do disputado Pulitzer Prize na categoria Breaking News Photography. O russo Sergey Ponomarev, o alemão Daniel Etter e o americano Tyler Hicks (que nasceu em São Paulo), além de Lima, fizeram uma série de fotos reportagens para o The New York Times.

Por meses, a equipe de fotógrafos, a serviço do jornal americano, acompanhou a saga de milhares de refugiados rumo à Europa. Durante 40 dias, Maurício Lima participou da jornada da família iraquiana Majid – a pé, por trem e ônibus – até a Suécia. Depois de chegarem na Grécia, os iraquianos seguiram até a Sérbia e o fotógrafo brasileiro esteve ao lado deles quando, em Budapeste, dentro de um ônibus, a polícia búlgara quis impedir que seguissem viagem. Uma das fotos mostra justamente o momento em que os Majids dormem, no chão do ônibus abarrotado de gente (veja esta e demais fotos ao final deste post).

Em outro momento, em novembro de 2015, o brasileiro flagrou o instante em que centenas de refugiados do Paquistão, Bangladesh, Marrocos, Argélia e Somália disputavam a entrega de água, cobertores e roupas, em um campo grego. Impedidos de atravessar a fronteira com a Macedônia e seguir viagem para outros países europeus, eles ficaram presos ali. A fotografia é chocante, pois mostra o desespero deste povo, a face da fome.

Na carta de apresentação ao Pulitzer, o The New York Times afirma que os quatro fotógrafos viveram a experiência dos refugiados. Conseguiram captar a agonia, esperança e – raros – triunfos destas pessoas. Deram a mães, pais, crianças e famílias um rosto, naquele que já é considerado o maior drama humanitário e político da Europa das últimas décadas.

limamauricio200Nascido em São Paulo, Mauricio Lima é fotógrafo documentarista freelancer, especializado em fazer o registro de imagens em zonas de conflito armado e de crises sociais. Formado em Comunicação pela PUC, começou a carreira em um jornal esportivo, em 1999, e depois, foi convidado a fazer parte da equipe da agência France-Presse. Trabalhou no Afeganistão, Iraque, Líbia, Ucrânia, Síria, Portugal e aqui, no Brasil. Lima tem no portfólio diversos prêmios internacionais, entre eles, Picture of the Year International, China International Press Photo e Prix Bayeux Calvados des Correspondants de Guerre. No ano passado, já tinha sido um dos finalistas do prêmio Pulitzer com a série de reportagens fotográficas sobre a Ucrânia “Fragmented: The Human Cost of War in Ukraine.”

O drama de milhões de refugiados

Esta semana, um relatório divulgado pela International Organization for Migration afirmou que, no ano passado, o número de refugiados no mundo chegou a 15 milhões de pessoas. O número é o maior dos últimos 70 anos, desde o final da Segunda Guerra Mundial.

No sábado (16/04), mais uma vez, houve um naufrágio no Mar Mediterrâneo, no que acredita-se ser o pior dos desastres dos últimos meses. Migrantes africanos, que tentavam chegar até a Itália, tentaram embarcar em um barco já superlotado, quando este começou a afundar. Cerca de 40 pessoas foram resgatadas, mas outras 500 continuam desaparecidas.

Do início de 2016 até agora, 179 mil pessoas fugiram de seus países até a Europa através do Mar Mediterrâneo. Estima-se que 1,2 mil perderam a vida nesta perigosa travessia. Em 2015, a grande maioria de refugiados que chegou na Grécia veio da Síria e Afeganistão. Já os que conseguiram alcançar a Itália saíram, sobretudo, da Argélia, Gâmbia e Senegal.

Veja abaixo as fotos de Mauricio Lima que fazem parte da série de reportagens do The New York Times, vencedora do Pulitzer Prize 2016:

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fotos de Mauricio Lima, fotógrafo brasileiro premiado pelo registro na crise de refugiados na Europa

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Fotos: divulgação Pulitzer Prize/The New York Times

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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