Brasil pode perder equivalente ao território de Portugal em áreas protegidas, alerta WWF-Brasil

Brasil pode perder equivalente ao território de Portugal em áreas protegidas, alerta WWF-Brasil

Parques e florestas nacionais e reservas biológicas nos estados de Santa Catarina, Amazonas e Pará, que até então eram Unidades de Conservação (UCs), somando uma área de 80 mil quilômetros quadrados, estão em risco. Segundo a organização WWF-Brasil, o país sofre neste momento um ataque sem precedentes promovido com o apoio de setores do governo e do Congresso Nacional e de interesses contrários ao meio ambiente.

O alerta foi documentado no dossiê, Unidades de Conservação sob Risco, divulgado esta semana pela organização.

A entidade afirma que integrantes da base parlamentar do governo Michel Temer e um forte lobby dos setores ruralista e de mineração estão tentando  desfazer ou diminuir o tamanho ou o status de proteção de UCs.

Como mostramos aqui no Conexão Planeta, na terça, 16/05, só no estado do Pará, 1,1 milhão de hectares de florestas – que equivalem ao dobro do tamanho do Distrito Federal ou 1,5 milhão de campos de futebol e incluem cinco áreas protegidas – estão ameaçados e podem se tornar vulneráveis ao agronegócio, à mineração e à exploração madeireira, caso duas medidas provisórias sejam aprovadas em votação no Congresso Nacional até o final deste mês (entenda melhor e assine a petição contra neste post) .

Para os especialistas do WWF-Brasil, a investida contra o meio ambiente não é novidade. Infelizmente, parte do agronegócio no país ainda não conseguiu entender que a produção de alimentos não pode estar aliada ao desmatamento e à degradação da fauna e flora. Existem outros meios de cultivo sustentáveis, que respeitam o meio ambiente. O que está chocando os ambientalistas agora é a abrangência e a estratégia de desmanche deste novo movimento contra as Unidades de Conservação brasileiras.

Outro projeto de lei que está em tramitação, por exemplo, o PL 3751, quer tornar caducos todos os atos de criação de UCs cujos proprietários privados não foram indenizados no período de cinco anos. Caso seja aprovado, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) calculou que 10% das áreas protegidas em Unidades de Conservação federais do país poderiam desaparecer.

O dossiê produzido pelo WWF-Brasil denuncia ainda que um grupo de parlamentares da bancada do Amazonas recebeu aceno favorável do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) de que o Planalto encamparia proposta de mudança em UCs no Estado… O lobby tem como alvo a extinção ou redução de cinco unidades de conservação criadas em 2016, em áreas previamente regularizadas do ponto de vista fundiário: a Reserva Biológica Manicoré, o Parque Nacional de Acari, a Floresta Nacional de Aripuanãm a Floresta Nacional de Urupadi e a Área de Proteção Ambiental Campos de Manicoré.

As denúncias feitas pela organização ambientalistas são muito graves. A sociedade civil precisa ser informada sobre o impacto destas propostas e se mobilizar para que elas não sejam aprovadas. Interesses de mineradoras, madeireiras e do agronegócio não podem colocar em risco uma das maiores riquezas brasileiras: sua biodiversidade.

É preciso que se entenda, de uma vez por todas, que o desenvolvimento sustentável do Brasil depende da preservação de seus recursos naturais, entre eles, bacias hidrográficas e florestas, responsáveis pelo equilíbrio do clima e outros muitos serviços ambientais.

É bom lembrar, que nosso país assinou um compromisso internacional, firmado no Acordo de Paris, em que se comprometeu a aumentar as áreas protegidas, cuidar da biodiversidade e combater as mudanças climáticas.

E não é só. Além da vergonha em não manter sua palavra, estes projetos de leis colocam em risco o investimento de dinheiro estrangeiro aqui. De acordo com o dossiê do WWF-Brasil, ao assinar a Convenção da Diversidade Biológica, das Nações Unidas, em uma das chamadas Metas de Aichi, o governo federal garantiu que, até 2020, protegeria por meio de UCs, 17% das áreas terrestres e de águas continentais e 10% das áreas marinhas e costeiras. Cerca de US$ 215 milhões foram comprometidos por doadores internacionais, fundações e agências de cooperação multi e bilaterais para que esta meta fosse alcançada.

Temos agora que pressionar o Congresso Nacional e impedir a votação destes projetos de lei. Ajude a divulgar estas informações e proteger as áreas de conservação do Brasil!

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Foto: Felipe Werneck – Ascom/Ibama/ Creatvie Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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