Brasil Eco Fashion WeeK apresenta tendências da moda sustentável

Moda. Aquilo que todos nós consumimos em maior ou menor grau, que traz consigo muitas vezes as marcas da exploração do trabalhador/trabalhadora têxtil e a degradação do meio ambiente. Dá pra ser diferente? Dá.

É isso que a Brasil Eco Fashion Week (BEFW), primeira semana de moda sustentável do Brasil, quer mostrar.

De 21 a 24 de novembro, na cidade de São Paulo, desfiles de marcas, rodas de conversa, workshops, exposições de novos designers, oficinas, LAB de inovação e tecnologia e, claro, economia solidária, estarão reunidos na Unibes Cultural, numa programação aberta ao público.

O objetivo do BEFW é criar um espaço de reúna marcas, iniciativas e profissionais engajados com a causa para todos se fortalecerem e se estruturarem de forma significativa no mercado e também mostrar ao público que a moda sustentável, além de bela, carrega histórias únicas.

A definição é de Fernanda Simon, uma das idealizadoras do BEFW: “A ideia surgiu em uma conversa entre amigos e parceiros, já ativistas e profissionais da área, entre eles o Rafael Morais, que tinha intenção de realizar um desfile de marcas com engajamento socioambiental. Na conversa, percebemos a necessidade de criar um espaço para mostrar quem são essas marcas e fomentar o pilar econômico da moda sustentável no Brasil. E, assim, criamos a Brasil Eco Fashion Week, uma semana de atividades, desfiles, palestras e showroom”, define.

A economia solidária e a moda andam juntas, já apontei isso aqui em vários posts, o último deles sobre a parceria entre a Charlotte Arte e o Lab Fantasma. E não poderia ficar de fora da programação da BEFW, claro.

Nos dias 22 e 23/11, a Rede Design Possível dá uma oficina de costura. No dia 22 haverá um talk com a Cooperativa de entregas de bicicleta Giro Sustentável de Economia Solidária, e no dia 23 a conversa é com a Rede de Costura da Economia Solidária. A Rede Design Possível participa também do Espaço LAB, que reúne tecnologia e inovação para moda e sustentabilidade.

Os desfiles das marcas acontecem nos dias 23 e 24/11: Comas, Aurora, Envido, Movin, Francesca Cordova, Natural Cotton Color, Aluf, Jouer Couture, Manuí, Nalimo, Grama, Vicente Perrota e Doiselles levam para a passarela uma moda sustentável e com preocupação social, com cuidado na cadeia produtiva.

E ainda tem mais: palestras com profissionais, mostra de looks e projetos de estudantes de diversas partes do país, workshops e oficinas faça você mesmo, expositores com propostas inovadoras no Espaço LAB, exibição de filmes, tudo costurado sob o mantra de que criatividade, prosperidade econômica, desenvolvimento social e respeito ambiental devem ser aspectos igualmente importantes na moda.

“O planeta passa por mudanças, e felizmente a demanda dos consumidores mais conscientes cresce também. Nós acreditamos que um dia toda roupa terá que ser sustentável. Enquanto isso, o BEFW deseja inspirar e sensibilizar para que esta crença se concretize”, diz Fernanda.

Tecnologia e inovação para moda e sustentabilidade
Uma parceria entre o Moda Limpa e a disciplina Formação Integrada para a Sustentabilidade (FIS), do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (GVces) proporciona uma experiência bem interessante durante o BEFW: o Espaço LAB de Tecnologia e Inovação para Moda e Sustentabilidade.

O LAB é um conector de pessoas, ideias, iniciativas e tendências que fazem a moda se reinventar e ser mais sustentável. Fornecedores, protótipos e inovações da indústria da moda estarão ali reunidos, destacando a importância da tecnologia e da gestão de processos ligados à sustentabilidade no Brasil.

O objetivo desse espaço é criar sensibilização para os efeitos e impactos danosos da moda como se apresenta hoje e criar condições que favoreçam o encontro entre produtores, fornecedores, lojistas e consumidores.

Os grupos e propostas que estarão no LAB são Látex Amazônia + Vert Shoes, Flávia Aranha, Ratorói, Alinha, Banco de Tecidos, Ecomaterioteca, Cazulo e Capitalismo Consciente, Design Possível, Pano Social, Rhodia, Sistema B, Biosoftness, Retalhar, Moda Limpa, Pulso SP, Roupa Livre Station, Natural Cotton Color, Upcycling na hora, Boomera e Revoada.

“Essa é a primeira edição do BEFW e isso nos deixa muito empolgados, pensando que estamos iniciando um movimento que vai marcar o calendário da moda no Brasil. No Espaço LAB, estamos trazendo iniciativas e pessoas muito importantes para os novos caminhos da moda no país. Que fazem pesquisas de tecnologias, soluções e formas de pensar totalmente inovadoras e cuidadosas”, avalia Marina De Luca, do Moda Limpa, um dos promotores do LAB. “Queremos juntar pessoas, ideias e projetos e incentivar as conexões offline para ver crescerem os novos caminhos da moda”.

Rodas de conversa, workshops e cinema

O evento é gratuito e acontece no Unibes Cultural, que fica na Rua Oscar Freire 2.500, em São Paulo, pertinho do metrô Sumaré. A programação toda está incrível, mas destaco aqui alguns momentos especiais:
– Apresentação do Índice de Transparência na Moda – Fashion Revolution Brasil
– Roda de Conversa “O trabalhador têxtil e seus direitos” – Moda Limpa + FIS/FGV
– Roda de Conversa “A importância da igualdade de gênero para sustentabilidade na moda – Marina Corlerato/Modefica
– Workshop “Branding com propósito” – Maria Brazil/Casulo
– Lançamento do filme “River Blue”, que mostra o mercado da moda através do olhar sobre os rios do mundo.

Para ver a programação completa, clique aqui 

Foto: Divulgação

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

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