Brasil e Indonésia são os países que mais contribuíram para perda de 50% da cobertura florestal do planeta em 2016

brasil e indonesia foram países que mais contribuiram para perda da cobertura florestal em 2016

Mais um recorde do ano passado para ser lamentado: a redução global da cobertura das árvores chegou a 29,7 milhões de hectares, o equivalente a 297 bilhões de m², ou para se ter uma ideia melhor, uma área igual a do território da Nova Zelândia. Os dados foram divulgados pela Global Forest Watch (GFW), uma iniciativa do World Resources Institute (WRI).

Com base em informações recentes da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, obtidas através de imagens de satélite em tempo real, o relatório revela que a extensão da cobertura florestal perdida, em 2016, aumentou 51% em relação ao ano anterior e é a maior dos últimos cinco anos, desde 2011.

Vale ressaltar que a perda da cobertura das árvores não significa a mesma coisa que desmatamento. A “cobertura da árvore” pode guardar conexão tanto com as árvores nas plantações, como nas florestas naturais, e a “perda da cobertura da árvore” equivale à supressão do dossel das mesmas em decorrência de ações humanas ou causas naturais, entre elas, incêndios.

De acordo com o estudo, a principal causa para este enorme aumento da redução da cobertura arbórea do planeta – mais de 50% – foram os incêndios, que aconteceram não somente no Brasil e Indonésia, mas também no Congo, Canadá e em países europeus, principalmente, em Portugal.

Todavia, a atividade agrícola, a exploração da indústria madeireira e a mineração continuam sendo apontadas como as principais responsáveis pela degradação das florestas.

Incêndios e aquecimento global

Juntos, Brasil e Indonésia representaram mais de 25% da perda global de cobertura de árvores em 2016. A região amazônica teve redução de 3,7 milhões de hectares, aproximadamente o triplo do que no ano anterior. Pará e Maranhão foram os estados onde ocorreu o maior número de incêndios no fim de 2015 e 2016.

Incêndios raramente são deflagrados por razões naturais em florestas tropicais. Especialistas do Global Forest Watch afirmam que o fogo só ocorre nestes ecossistemas quando seu uso por humanos interage com temperaturas elevadas e estiagens prolongadas, o que pode ser explicado, em parte, à força do fenômeno El Niño nos últimos dois anos, que provocou, entre outras coisas, seca em diversas regiões dos trópicos.

O principal alerta que o documento faz é sobre a relação direta destes incêndios no mundo todo com o aquecimento global:

As últimas queimadas no Brasil, na Califórnia, em Portugal e em outros lugares justificam prever que os incêndios florestais não tendem a acabar – de fato, a expectativa é que piorem proporcionalmente ao aquecimento do planeta. A larga escala de florestas calcinadas pelo fogo e outros agentes, no curso de 2016, demonstra claramente que, nos tempos atuais como nunca, necessitamos trabalhar unidos com vistas à melhora do manejo florestal”.

Incêndios devastaram a Chapada dos Veadeiros

O relatório Global Forest Watch aponta números de 2016, quando queimadas aconteceram em diversos pontos do planeta. Infelizmente, em 2017, novamente, incêndios se repetiram, de maneira trágica, tanto no Brasil, como em Portugal. No país europeu, neste último verão, mais florestas foram destruídas e quase 100 pessoas perderam suas vidas.

No Brasil, perto de 30% do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, foi devastado pelo fogo, como mostramos aqui, neste outro post.

Foto: Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Fotos Públicas e Valter Campanato/Agência Brasil/Fotos Públicas

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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