Brasil diz NÃO ao carvão!

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Se alguém duvida que se engajar e participar de mobilizações contra algo que está muito errado não dá em nada, agora tem um bom motivo para acreditar que toda ação vale muito. E se for liderada por organizações internacionais, melhor ainda.

Enquanto, cada vez mais países acenam com estratégias para eliminar o carvão de suas fontes de energia com o intuito de diminuir as emissões de gases de efeito estufa e enfrentar as mudanças climáticas, recentemente, o Brasil acenava com novos subsídios à geração de energia a carvão mineral. Segundo a Associação Brasileira de Carvão Mineral, tal apoio seria de de US$ 5 bilhões!

brasil-diz-nao-ao-carvao-campanha-greenpeaceEm meio a esse cenário, o Greenpeace liderou mobilização que envolveu mais de 50 mil brasileiros, além de ONGs de todo o mundo, para pedir o veto ao artigo 20 da Medida Provisória 735. Isso aconteceu graças à petição “Carvão, não!” entregue a representantes de Michel Temer com 35 mil assinaturas, em 4/11, primeiro dia da conferência do clima de Marrakesh.

No dia 11, o veto foi anunciado em carta de Temer à José Sarney Filho, ministro do Meio Ambiente – disse que o motivo era “incompatibilidade com o interesse público, contrariando compromissos internacionais assumidos” –, mas somente no dia 18, última sexta, a decisão foi publicada no Diário Oficial. Que vitória! Para o Brasil e para o mundo. Ainda mais porque, nesse dia, era véspera do final da COP22. É um sinal de que o país honra o Acordo de Paris, assinado no ano passado na COP21, e está empenhado em combater as mudanças climáticas.

De qualquer forma, ainda há muito a fazer já que o Plano Decenal de Energia indica que, nos próximos anos, o Brasil pode continuar investindo em combustíveis fósseis – 70% para carvão e petróleo? – contribuindo para o aquecimento global. Um contrasenso, sem dúvida!

Para se ter ideia da real “pegada” do carvão, basta lembrar que, sozinho, ele gera 1/3 das emissões mundiais de gases de efeito estufa. Além de acelerar o aquecimento global, é extremamente poluente e causa cerca de 800 mil mortes por ano, no planeta. Como se não bastasse, por aqui, ainda é uma fonte cara de energia, causando impacto não só nas contas governamentais como também na renda da população brasileira.

Não é possível que ainda tenhamos fontes sujas de energia em nossos planos do presente e do futuro. E, para cumprir o compromisso assumido mundialmente, com o Acordo de Paris, é preciso que governo e sociedade se voltem para as energias limpas, renováveis. Greenpeace fala em chegarmos a 2050 apenas com fontes renováveis. É um futuro possível. Só é necessário empenho de todos para resistir a todas as iniciativas que forem na contramão desse desejo.

Junto com os 50 mil brasileiros que assinaram a petição, estão as seguintes organizações: Greenpeace. WWF-Brasil, IEMA – Instituto de Energia e Meio Ambiente, ISA – Instituto Socioambiental, ECOA – Ecologia e Ação International Rivers, ICV – Instituto Centro de Vida Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, Amigos da Terra, Engajamundo, Imaflora – Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola Amigos da Terra Amazônia Brasileira, Imazon – Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, Ipam – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, Fundación Avina, FBDS – Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, IEB – Instituto Internacional de Educação do Brasil, COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil, Apremavi – Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida, SPVS – Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental Iniciativa Verde, Engajamundo, 350.org Brasil, Hospitais Saudáveis. Aprec – Ecossistemas Costeiros e Idesam.

Foto: Wobogre/Pixabay

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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