Brasil está entre os últimos lugares em ranking global de mobilidade social

Brasil aparece entre os últimos lugares em ranking global de mobilidade social

Mobilidade social pode ser entendida como o movimento, em circunstâncias pessoais, “para cima” ou “para baixo” de um indivíduo em relação aos de seus pais. Em termos absolutos, é a capacidade de uma criança viver uma vida melhor do que seus genitores. Por outro lado, a mobilidade social também é uma avaliação do impacto do contexto socioeconômico nos resultados de um indivíduo na vida.

A definição acima faz parte do Global Social Mobility Index 2020, estudo divulgado esta semana, durante o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça.

Especialistas envolvidos no levantamento afirmam que a maioria das economias globais (leia-se países) está falhando em fornecer as condições para que seus cidadãos possam prosperar. Como resultado, “as oportunidades de um indivíduo permanecem vinculadas ao seu status socioeconômico no nascimento, consolidando desigualdades históricas“.

Foram incluídos no estudo 82 países. Assim como em outras pesquisas sobre qualidade de vida e infraestrutura, as nações escandinavas dominam os primeiros lugares do ranking.

Em primeiro lugar no Global Social Mobility Index 2020 aparece a Dinamarca, seguida por Noruega, Finlândia, Suécia e Islândia. Os demais países que aparecem nas dez primeiras posições são todos europeus (confira abaixo os “campeões” da lista).

Brasil aparece entre os últimos lugares em ranking global de mobilidade social

Brasil: faltam educação e qualificação

O Brasil surge no 60o lugar do índice global de mobilidade social, abaixo do Sri Lanka, México, Equador, Armênia, Tailândia e Albânia.

Entre os pontos que demonstram a razão pela qual os habitantes de nosso país não conseguem prosperar estão a falta de acesso à uma educação de qualidade e a qualificação profissional ao longo da vida – e incentivos governamentais e empresariais para que isso ocorra -, e ainda, a péssima distribuição de renda entre os brasileiros.

Brasil aparece entre os últimos lugares em ranking global de mobilidade social

“As consequências sociais e econômicas da desigualdade são profundas e abrangentes: um crescente sentimento de injustiça, precariedade, perda percebida de identidade e dignidade, enfraquecimento do tecido social, erosão da confiança nas instituições, desencantamento nos processos políticos e erosão do contrato social”, alerta Klaus Schwab, fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial. “A resposta das empresas e do governo deve incluir um esforço conjunto para criar novos caminhos para a mobilidade socioeconômica, garantindo que todos tenham oportunidades justas de sucesso”.

Metodologia do ranking

Para chegar aos índices apontados pelo estudo, foi considerado o que um país pode fazer de forma holística para promover a mobilidade social de todos seus cidadãos, uma análise diferente de outras metodologias utilizadas até então.

“Historicamente, a mobilidade social era observada através das gerações, comparando os ganhos dos filhos com os de seus pais. Outros se concentraram nos resultados e, como tal, lutaram para fornecer informações oportunas. Os mais acadêmicos tendem a olhar para o rastreamento da desigualdade de renda. O problema com essas abordagens é que elas capturam o efeito de medidas que foram tomadas 30 a 40 anos atrás”, explicam os pesquisadores envolvidos no levantamento.

O Índice Global de Mobilidade Social, no entanto, afirmam eles, concentra-se nos propulsores da mobilidade social, e não nos resultados. Analisa políticas, práticas e instituições. “Isso permite comparações eficazes em todas as regiões e gerações. Utiliza 10 pilares, que por sua vez são divididos em cinco determinantes da mobilidade social – saúde, educação, acesso à tecnologia, oportunidades de trabalho, condições de trabalho e salários justos e, finalmente, proteção social e até instituições”, esclarecem.

Uma das questões levantadas pelo Global Social Mobility Index é que a chamada “Quarta Revolução Industrial”, promovida pelo avanço do mundo digital, e a globalização da economia mundial, trouxeram avanços, entretanto, exacerbaram as desigualdades.

Em muitos países, trabalhadores pouco qualificados perderam seus empregos e enfrentam grande dificuldade em se encaixar em uma nova realidade profissional. E é justamente aí que governos e empresários precisam fazer sua parte, ao dar apoio e capacitação a esta parcela de cidadãos que precisa se atualizar e buscar perspectivas em áreas até então inexistentes ou inexploradas.

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Foto: Rui Rocha/Creative Commons/Flickr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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