Brasil aparece em 4o lugar em ranking de países com mais assassinatos a ambientalistas, ativistas e indígenas

Brasil aparece em 4o lugar em ranking de países com mais assassinatos a ambientalistas, ativistas e indígenas

Desde 2012 a organização não-governamental britânica Global Witness divulga um levantamento sobre a violência contra ambientalistas, ativistas e indígenas no mundo todo.

Em 2019, o estudo chamado Enemies of The Estate? – How Governments and Businesses Silence Land and Environmental Defenders – (Inimigos do Estado – Como Governos e Empresas Silenciam Protetores da Terra e do Meio Ambiente, na tradução para o português) revela que, no ano passado, mais de três pessoas foram mortas, por semana, por defender suas terras e nosso meio ambiente. Outras tantas sofreram ataques ou foram presas.

No total, ocorreram 164 assassinatos – mais da metade deles na América Latina.

Apesar de a cada dia ficar mais forte um movimento global pela preservação da natureza, ainda assim, milhares de pessoas continuam a perder suas vidas na luta contra o que é justo e certo e contra a ganância e o poder de criminosos.

“São pessoas comuns, que tentam proteger seus lares e meios de subsistência e defender a saúde de nosso planeta. Muitas vezes, suas propriedades são violentamente invadidas para produzir bens usados e consumidos em todo o mundo, todos os dias, desde alimentos, telefones celulares até joias”, destacam os pesquisadores.

No ranking global, o Brasil aparece em 4o lugar entre os países com o maior número de assassinatos. Foram 20 pessoas mortas, uma redução em relação a 2017, quando havia sido batido um recorde (leia mais aqui). É a primeira vez, em sete anos, que nosso país deixa de ocupar a liderança da lista.

Mas infelizmente, a expectativa é que a situação volte a piorar. “O novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, prometeu abrir reservas indígenas para o desenvolvimento comercial, incluindo mineração, agricultura e infraestrutura. Em 2019, isso já provocou uma série de invasões de terras indígenas por grupos armados de grileiros, com comunidades vivendo com medo de futuros ataques”, alerta a organização.

Em primeiro lugar na lista, elaborada pela Global Witness, está as Filipinas, seguida por Colômbia e Índia – neste último, 13 pessoas foram assassinadas em um massacre, em 2018, quando protestavam contra os impactos provocados pelas atividades de uma mina de cobre, no estado de Tamil Nadu.

A Guatemala, que está na 5ª posição, é o lugar onde houve o maior crescimento de homicídios em relação a anos anteriores. Em 2017, foram três mortes, no ano seguinte, 16.

De acordo com a organização, os homicídios são provocados, principalmente, por disputas relacionadas a áreas de mineração (43 das mortes), agropecuária e barragens e represas.

Vítimas no Brasil

Segue abaixo o nome dos 20 brasileiros brutalmente assassinados em 2018:

Aluísio Sampaio dos Santos
Carlos Antônio dos Santos
Edemar Rodrigues da Silva
Eduardo Pereira dos Santos
Gazimiro Sena Pacheco
Gilson Maria Temponi
Haroldo Betcel
Ismauro Fatimo dos Santos
Joacir Fran Alves da Mota
Jorginho Guajajara
José Bernardo da Silva
Juvenil Martins Rodrigues
Katison de Souza
Leoci Resplandes de Sousa
Lucas de Lima Batista
Márcio Matos
Nazildo dos Santos Brito
Paulo Sérgio Almeida Nascimento
Rodrigo Celestino
Valdemir Resplandes

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Imagem: divulgação Global Witness

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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