Bolívia estampa guerreira indígena do século XVII em nota bancária

Este mês, a Bolívia coloca em circulação a primeira nota de 10 bolivianos (um boliviano equivale ao peso, utilizado até 1986) com o rosto da guerreira indígena Gregoria Apaza (1751-1782) estampado. Esta ação faz parte do plano do governo de Evo Morales (indígena aymara) para valorizar a cultura indígena e seus líderes.

Esta não é a primeira vez que um nativo se destaca no dinheiro do país. Mas é a primeira vez que uma mulher indígena ganha tal notoriedade.

Em 1984, época em que a inflação castigava o país, uma figura também indígena ilustrou a nota de 100 mil pesos, mas nunca foi identificada. No final do mês passado, o assessor do Banco Central, Raúl Mendoza, divulgou a substituição da imagem do pintor Cecilio Guzmán de Rojas pela de Apaza, contando sua história de lutas em uma audiência pública de prestação de contas da instituição. 

Em 1781, junto com seu irmão, o rebelde índio aymara Túpac Amaru (seu nome de nascimento é Julián Apaza), e sua cunhada, Bartolina SisaGregoria liderou o cerco a La Paz e Sorata contra os espanhóis Ela tinha 31 anos. Os três e seus aliados lutaram com garra, mas foram derrotados e executados no ano seguinte. 

Essa heroína do século XVIII faz parte de uma série de ícones do povo indígena boliviano que serão retratados em notas bancárias. A partir do ano que vem, outras devem entrar em circulação para celebrar figuras de destaque do cenário político e social do país: as de 100 e 200 bolivianos já estão sendo redesenhadas e devem ser lançadas entre janeiro e abril. De julho a outubro, será a vez das notas de 20 e 50 pesos participarem dessa homenagem.

Lindo projeto para ser replicado em outros países, não? Aqui, no Brasil, por exemplo.

Ilustração: Divulgação

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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