Boicote ao consumo: pela democracia, pelos direitos humanos e dos animais e pela proteção do meio ambiente


“Mas somos pequenos demais pra fazer diferença!”. Já ouviu ou disse isso, alguma vez? Pois estão… não, não somos! Quando defendemos direitos, conquistamos respeito e espaço e podemos influenciar, para o bem, a conduta de pessoas e de empresas. E vou focar nas empresas, aqui, porque foram empresários (considerados bem sucedidos) que protagonizaram, recentemente, mais um episódio do golpe que o Brasil sofreu no ano passado e revelaram o esquema sórdido que embasa boa parte do que é decidido no Congresso.

Com a revelação dos donos do Grupo JBS, que incriminam o presidente ilegítimo Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB)que expõem ainda mais as formas escusas e corruptas com que estes e outros tantos senhores da política lidam com o Brasil, apesar do discurso contra a corrupção, que pautou o golpe –, está uma grande oportunidade de mudarmos o curso da história, por meio de manifestações – sempre pacíficas, claro!! – e de pequenas ações que podem se multiplicar como o boicote ao consumo.

Agora, tá na cara – mais do que nunca! – que corporações também mandam no Brasil, ditam os rumos em detrimento do nosso futuro. Por isso, o brasileiro precisa aprender o poder que tem nas mãos por meio do boicote às empresas – seus produtos e marcas – que desrespeitam direitos e se valem de dinheiro público e de relações privilegiadas para lucrar.

O que os irmãos Joesley e Wesley Batista fizeram, em sua trajetória ‘de sucesso’ – lucro a qualquer custo, suborno de políticos, uso indevido de dinheiro público – é crime. Não tem outro nome e não merece perdão. Só punição.

E, para além da Justiça – que talvez nunca seja cumprida porque eles moram fora do país -, o que nós, cidadãos, podemos fazer com isso? A priori – além de se indignar e espalhar essa indignação – podemos boicotar suas marcas, que são inúmeras. Não comprar mais nenhum produto das empresas do grupo, mas mais do que isso: também das empresas das quais o grupo é parceiro ou nas quais tem participação. A lista está no fim deste post.

Fiz essa proposta em minha página no Facebook logo que o escândalo foi anunciado e algumas pessoas se revoltaram dizendo que é preciso pensar nos trabalhadores das empresas desse grupo. Esclareço: o boicote é uma das formas mais interessantes de dizermos às empresas que não estamos satisfeitos com o que fazem e que precisam mudar.

O mercado brasileiro representa cerca de 20% dos negócios do grupo JBS. Um boicote brasileiro não quebraria o grupo, mas pode abalar um pouco de sua estrutura, o que representa muito. E eu acredito que tudo se acomoda e que, se houver desemprego em função dessa ação, tudo se resolverá com o tempo, as pessoas criarão novas formas para sobreviver, o mercado se movimentará… sim.

O que não dá é pra perpetuar um negócio imoral e que causa muita dor. Mas vamos além do possível desemprego dos funcionários da JBS. Não falo, aqui, só de ética! Negócios como os do grupo JBS contribuem para o desmatamento, reduzem unidades de conservação e degradam ecossistemas, promovem grilagem de terrastrabalho escravo e prejudicam comunidades locais e tradicionais. Tudo isso direta e indiretamente.

Sem falar que boa parte de seus negócios  produz produtos de qualidade duvidosa – lembre-se do escândalo da carne fraca – e que só fazem mal á saúde humana, além de ter um rastro de sofrimento e de dor vivido por animais, em sua criação e no abate.

E então? Será que é preciso mais motivos para boicotar o grupo JBS e seus parceiros? Estes também precisam aprender a ter mais critério para escolher com quem dividir sonhos e lucros.

E falar de JBS é só um começo. Há inúmeras empresas nas mesmas condições pelo Brasil, como sabemos. Então, que tal colocar o boicote a marcas e empresas que não respeitam os direitos humanos, a saúde e o meio ambiente em suas práticas diárias?

Vamos às marcas do grupo JBS ou relacionadas a ele. Se conhecer outras, escreva nos comentários deste post.

PROTEÍNA ANIMAL
– Anglo
– Bordon
– Excelsior
– Frangosul
– Friboi (Maturatta, Reserva, Angus, Do Chef…)
– Lebon
– Swift
– Seara
– Target

LATICÍNIOS:
– Amélia
– Carmelita
– Danúbio
– Doriana
– Faixa Azul
– Franciscano
– Leco
– Mesa
– Serrabella
– Vigor
– Itambé

ARTIGOS DE LIMPEZA
– Boa Noite
– Brisa
– Fluss
– Lavarte
– Minuano
– Assim
– Mat Inset
– No Inset

COSMÉTICOS
– OX
– OX Men
– Neutrox
– Francis
– Hydratta
– Albany
– Protege
– Karina
– Phytoderm

RAÇÃO
– Funpet

Ah… tem mais!

A família Batista também controla ou é sócia de outras empresas e marcas:
– Alpargatas (Havaianas, Timberland, Mizuno, Osklen, Sete Léguas, Dupé)
– Banco Original
– Canal Rural
– Rádio Rural (Porto Alegre).

Foto: Corinna Barbara/Pixabay

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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