Bobbing Forest, a floresta flutuante de Roterdã

bobbing forest em roterdã

Os obstáculos para criar áreas verdes em Roterdã, na Holanda, não são exatamente pequenos. Por um lado, trata-se da segunda maior cidade dos Países Baixos com cerca de  2,2 milhões de habitantes na área metropolitana e estimados 2,9 mil moradores por quilômetro quadrado, uma densidade que a coloca como o 168º centro urbano mais populoso do planeta. É pouco espaço para muita gente, atraída principalmente pela cultura e o comércio do maior porto de cargas da União Européia (10º do mundo). Além disso, um terço de Roterdã está abaixo do nível do mar, com alguns de seus bairros chegando a negativos 6 metros de altitude.

Plantar árvores, como se pode deduzir, não é dos desafios mais fáceis. Contudo, um grupo de artistas locais talvez tenha encontrado uma solução bem interessante: criar bóias especiais para uma floresta flutuante nas áreas da cidade que estão sobre as águas, a Bobbing Forest (bobbing, em inglês, significa sacudir ou bater).

A ideia surgiu de uma instalação do artista Jorge Bakker, na qual um aquário é ocupado por pequenas miniaturas de árvores que flutuam para cima e para baixo apoiadas em bóias de plástico normalmente usadas em pescarias. Curioso sobre a proposta de Bakker, Jeroen Everaert, fundador da companhia artítisca local Mothership & Brotherhood, perguntou se era possível criar uma versão em escala real da instalação. A partir disso, foram três anos de pesquisa e desenvolvimento para criar estruturas flutuantes capazes de receber vida.

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Segundo Everaert, um dos primeiros problemas foi encontrar uma espécie vegetal que não sofresse com o vai e vem das marés. “As arvóres também sofrem de ‘enjôo’ de certa maneira. Quando há ondas, você vê as bóias dançando na água, fazendo com que as árvores sejam sacudidas violentamente”, disse ele em uma entrevista. Por essa razão, os artistas procuraram ajuda de estudantes de botânica e biologia de uma universidade local para encontrar uma espécie de árvore que pudesse se adaptar bem às variações da flutuação. No fim, os artistas e pesquisadores chegaram ao elmo holandês, uma árvore típica do país.

Até o momento, 20 árvores que seriam derrubadas por causa de uma construção foram resgatadas pelo projeto da floresta flutuante, atualmente restrita a uma área desativada da bacia do porto de Rijnhav. De acordo com o site do projeto, as árvores flutuantes também servem para conscientizar as pessoas sobre a elevação dos níveis do mar por conta do aquecimento global, uma ameaça contínua aos Países Baixos. “Elas [as árvores flutuantes] são uma imagem daquilo que teremos no futuro se não combatermos o problema”, afirma Everaert.

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Fotos: Divulgação / Bobbing Forest

É repórter e escreve sobre sustentabilidade desde 2012.

Julio Lamas

É repórter e escreve sobre sustentabilidade desde 2012.

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