Boas notícias para duas espécies de aves brasileiras na nova lista vermelha da IUCN

Boas notícias para duas espécies de aves brasileiras na nova lista vermelha da IUCN

Foi divulgada ontem (05/12), em Tóquio, no Japão, a atualização da chamada Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que avalia as condições de sobrevivência de centenas de animais e plantas no planeta.

Criada em 1964, a lista é hoje o maior catálogo sobre o estado de conservação das espécies, que as classifica conforme o grau de risco diante da extinção (entenda melhor como funcionam as categorias ao final deste post).

Apesar da nova atualização apresentar um cenário global bastante preocupante, pelo menos há boas notícias para duas espécies de aves brasileiras: o papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) e o papagaio-chauá (Amazona rhodocorytha). O primeiro passou de “vulnerável” para “quase ameaçado”, o que significa que a espécie deixou de estar em risco. Já o chauá, passou de “em perigo”, quando há  grande chance de entrar em extinção na natureza, para “vulnerável”.

Ainda que tenham melhorado de categoria, ambas as aves continuam a merecer trabalhos de proteção e conservação. Nós já haviamos mostrado, em julho, aqui no Conexão Planeta, como um censo tinha revelado o aumento de papagaios-de-cara-roxa no litoral do Paraná e São Paulo.

O Amazona brasiliensis (na direita na foto acima) é endêmico da Mata Atlântica e do Brasil, ou seja, só existe aqui e em nenhum outro lugar do mundo. Ele vive em uma estreita faixa que se estende do litoral sul paulista ao extremo norte de Santa Catarina, passando por toda a costa do Paraná.

Já o papagaio-chauá é encontrado também em fragmentos da Mata Atlântica, entre Alagoas e Rio de Janeiro, em florestas úmidas de terras baixas.

Infelizmente, o recém-divulgado relatório traz mais más notícias do que boas. Entre as espécies nativas do Brasil, o falcão baiano (Nyctiprogne vielliardi) passou de “quase ameaçado” para “vulnerável” e a cara-pintada (Alagoas tyrannulet) de “em perigo” para “criticamente em perigo”.

Espécies em risco

A nova Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas revela a extinção de três reptéis na Austrália. Além disso, 1/3 das 46 espécies de cobras e lagartos endêmicas do Japão estão ameaçadas.

Além deles, o levantamento mostra que as populações do golfinho asiático Irrawaddy e do boto-do-índico estão em declínio assustador.

O documento alerta ainda para o possível desaparecimento de importantes espécies de plantas, utilizadas como alimento no mundo todo, entre elas, arroz selvagem, trigo e inhame. A IUCN afirma que estes cultivos estão sendo levados à extinção devido à práticas insustentáveis na agricultura e a expansão urbana.

“Ecossistemas saudáveis e ricos em espécies são fundamentais para a nossa capacidade de alimentar a população crescente do mundo e alcançar um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU – acabar com a fome até 2030”, destaca Inger Andersen, diretor-geral da UICN. “As espécies de culturas selvagens, por exemplo, mantêm a diversidade genética das culturas agrícolas, que podem se adaptar a um clima em mudança e garantir a segurança alimentar e nutricional. A nova Lista Vermelha levanta o alarme sobre seu declínio e enfatiza a urgência de protegê-las para a segurança de nosso próprio futuro”.

Entenda as siglas da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas

Extinto (EX): não existe mais nenhum indivíduo da espécie;

Extinto na natureza ( EW): todos os indivíduos vivos da espécie encontram-se em cativeiro, não sendo possível verificá-los em seu habitat;

Criticamente em perigo (CR): espécie apresenta chance extremamente elevada de entrar em extinção na natureza;

Em perigo (EN):  espécie possui grande chance de entrar em extinção na natureza;

Vulnerável (Vulnerable – VU): espécie tem chance de entrar em extinção na natureza;

Quase ameaçado (NT): espécie não está ameaçada, mas esforços devem ser realizados em prol de sua conservação;

Pouco preocupante (LC): espécie estudada não possui grandes riscos de entrar em extinção na natureza no momento;

Dados deficientes (DD): não existem dados suficientes que evidenciem o grau de conservação da espécie;

Não avaliado (NE)

Fotos: Duncan Rawlinson/Creative Commons/Flickr e Wikimedia Commons

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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