Boa notícia traz mais esperança para a sobrevivência dos gorilas das montanhas e das baleias-comuns


Boa notícia traz mais esperança para a sobrevivência dos gorilas das montanhas

Felizmente, o jornalismo ambiental não vive só de más notícias e números assustadores sobre a extinção de espécies. Uma excelente novidade foi revelada pela mais recente atualização da chamada Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que avalia as condições de sobrevivência de centenas de animais e plantas no planeta.

Segundo o documento divulgado ontem (14/11), em Gland, na Suíça, esforços de conservação garantiram que duas espécies deixassem de estar tão ameaçadas: os gorilas das montanhas e as baleias-fin, também conhecidas como baleias-comuns.

O primeiro, que na verdade é uma subespécie do gorila do leste (Gorilla beringei), deixou de ser classificado como “criticamente em perigo” – e agora está “em perigo” – e as baleias, passaram de “em perigo” para “vulneráveis” (entenda as classificações usadas pela IUCN ao final deste post).

“A atualização da lista ilustra o poder do trabalho de conservação, com a recuperação que vemos das baleias-comuns e dos gorilas das montanhas”, comemorou Inger Andersen, diretor geral da IUCN. “Esse sucesso da conservação é prova de que os esforços ambiciosos e colaborativos de governos, empresas e socidade civil podem reverter a perda de espécies”.

A população das baleias-comuns (Balaenoptera physalus) praticamente dobrou desde os anos 70, graças à moratória internacional que impede a sua caça comercial. Atualmente estima-se que sejam 100 mil adultos. Assim como a baleia-fin, outra espécie, a cinza (Eschrichtius robustus), encontrada sobretudo na Rússia, também apresentou aumento do número de indivíduos. No passado, esses cetáceos eram mortos por causa de sua carne, gordura e óleo.

Já os gorilas das montanhas (Gorilla beringei beringei), que chegaram a ter apenas 680 indivíduos sobreviventes, hoje passam dos 1 mil. A subespécie habitat uma área protegida de aproximadamente 792km2 em regiões do Congo, Ruanda e Uganda, na África. Ao redor dessas áreas, há intensa atividade agrícola, com assentamentos numerosos de pessoas. As principais ameaçadas para esses animais ainda são a caça, conflitos armados e o contágio de doenças e infecções humanas.

“Embora seja uma notícia fantástica que os gorilas das montanhas estão aumentando em número, esta subespécie ainda está ameaçada e, portanto, a ação de conservação deve continuar ”, diz Liz Williamson, do Grupo de Especialistas em Primatas da IUCN. “Coordenar esforços através de um plano de ação regional e implementar totalmente as diretrizes de melhores práticas para turismo de grandes primatas e prevenção de doenças, que recomendam um número limitado de visitantes e impedem qualquer contato próximo com seres humanos, são fundamentais para garantir um futuro para eles”.

Todavia, não há apenas boas notícias. O novo relatório indica que outras espécies, de árvores e peixes, como a garoupa, por exemplo, correm maior risco do que antes.

“As ameaças à biodiversidade continuam a minar alguns dos objetivos mais importantes da sociedade, incluindo a segurança alimentar. Precisamos urgentemente ter ações efetivas de conservação fortalecidas e implementadas. A atual Cúpula da Nações Unidas sobre Biodiversidade, que acontece no Egito, oferece uma oportunidade valiosa para ações decisivas para proteger a diversidade da vida em nosso planeta”, destaca Andersen.

Entenda as siglas da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas

Extinto (EX): não existe mais nenhum indivíduo da espécie;

Extinto na natureza ( EW): todos os indivíduos vivos da espécie encontram-se em cativeiro, não sendo possível verificá-los em seu habitat;

Criticamente em perigo (CR): espécie apresenta chance extremamente elevada de entrar em extinção na natureza;

Em perigo (EN): espécie possui grande chance de entrar em extinção na natureza;

Vulnerável (Vulnerable – VU): espécie tem chance de entrar em extinção na natureza;

Quase ameaçado (NT): espécie não está ameaçada, mas esforços devem ser realizados em prol de sua conservação;

Pouco preocupante (LC): espécie estudada não possui grandes riscos de entrar em extinção na natureza no momento;

Dados deficientes (DD): não existem dados suficientes que evidenciem o grau de conservação da espécie;

Não avaliado (NE)


Foto: domínio público/pixabay

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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