Black Friday: a guerrilha de marketing para o consumo inconsciente

Black Friday: a guerrilha de marketing para o consumo inconsciente

É um bombardeio! Provavelmente já faz uma semana ou até mais do que isso que você ouve ou lê na mídia sobre a incrível Black Friday. O evento de vendas, importado dos Estados Unidos e que se espalhou pelo mundo todo, é um estímulo ao consumo. Na última sexta-feira de novembro, a pouco menos de um mês para o Natal, ofertas descritas como “incríveis e imperdíveis” são oferecidas pelo comércio.

Como resistir? Descontos de 30, 50 e até 70% são prometidos.

Mas espere, pare um minuto. Respire fundo e pense. Você precisa mesmo comprar? É um produto que vai te deixar mais feliz? Trazer saúde para você e seus familiares? Algo que vai melhorar seu desempenho profissional?

A respostamente é que provavelmente não.

Os americanos são os reis do consumo. Até hoje, parece que ainda não se deram conta de que ter não é sinônimo de ser feliz. E pior que isso, que os recursos naturais do planeta não são infinitos. No dia 2 de agosto, a humanidade já tinha usado toda água, energia, minerais e vegetais que a Terra tinha capacidade para produzir e regenerar no ano de 2017. A conta, feita anualmente pela Global Footprint Network, marca o Dia da Sobrecarga da Terra, uma espécie de orçamento natural disponível para o homem. E ano após ano, estamos no vermelho!

Para alertar sobre este dia do consumo inconsciente, o Instituto Akatu lançou uma campanha para as pessoas refletirem: Black Friday, Descontos de 100% – (Se você deixar de comprar o que não precisa).

No Brasil, a tal de Black Friday coincide ainda com o pagamento do 13º salário, ou seja, quando o consumidor acaba de receber um dinheiro a mais. E o comércio usa todas suas ferramentas de marketing para apelar para o lado emocional – não o racional, lógico – de seus futuros clientes.

A economista Flávia Ávila, fundadora da consultoria InBehaviour Lab e e coordenadora da primeira pós-gradução e MBA do Brasil em Economia Comportamental, na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), estuda o assunto há 15 anos. Ela deu uma entrevista ao Instituto Akatu e listou alguns comportamentos que levam as pessoas a fazer compras desnecessárias:

Efeito manada
Se você quer evitar compras desnecessárias, cuidado para não se deixar levar pelo comportamento alheio. Não é porque a loja está cheia e todo mundo está com sacolas que a promoção realmente vale a pena (pode ser que muitas pessoas também estejam comprando por impulso) e que você precisa fazer o mesmo;

Cedendo à pressão
Há diversas situações de pressão que podem induzir a uma compra desnecessária. Os vendedores se valem disso e comentam que o artigo que está sendo apresentado a você “é a última peça”, por exemplo. Fazer compra com crianças também pode pressionar o consumidor a fazer uma compra sem pensar direito, já que tira o foco da atenção. Nesses casos, é melhor fazer uma pausa para sair desse momento de pressão. Na dúvida, saia da loja. No caso das compras online, cuidado com as “ampulhetas virtuais”, que fazem a contagem regressiva para você finalizar uma compra. Lembre-se de que esse tipo de pressão costuma ser artificial, apenas para induzir à compra sem reflexão;

Comprar para não perder a viagem
Você foi atraído por um anúncio da Black Friday nas redes sociais, mas quando vai pagar percebe que o produto não está mais disponível. Como você já passou um tempão navegando, resolve comprar algum outro produto para não “perder a viagem”. Esse comportamento pode acabar em um compra desnecessária. O dinheiro que você poderia ter gasto com algo que não precisa pode ser economizado para um plano futuro ou usado na compra de um produto que você realmente procura e precisa;

Imediatismo
Antes de qualquer compra, pergunte a si mesmo: vale a pena fazer essa compra agora ou estou sendo levado a acreditar que ela é vantajosa? Se você precisa de um produto, pesquise o preço dele e espere pelo momento certo para fazer a compra, por um preço realmente vantajoso. Sem ter referência do preço do produto, não é possível saber se um desconto vale a pena ou não.

“Só hoje, eu posso”
Uma “desculpa” para soltar o cartão de crédito na Black Friday é: “só hoje, eu posso fazer essa compra”. É um raciocínio semelhante ao adotado pelas pessoas que querem comer doces ou guloseimas e fugir da dieta controlada – saem da linha um dia, mas acabam por extrapolar por mais tempo que o previsto. Por isso, em vez de permitir o “descontrole” das compras em uma única data, aproveite a época de promoções para avaliar se os descontos são reais e para fazer a compra se realmente valer a pena. Consumir com consciência deve ser um hábito permanente.

E lembre, antes de usar seu cartão de crédito com algo desnecessário: 28 de novembro é o #diadedoar! Que tal gastar seu dinheiro ou tempo, com alguém que realmente precisa?

Veja como aqui, neste outro post.

*Com informações e reprodução de parte do texto do Instituto Akatu

Imagem: divulgação

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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