Black Friday do bem existe? Com a Patagonia, sim!

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Muita gente aguarda ansiosamente a Black Friday, em todo o mundo. No Brasil, a corrida às compras, logo cedo, pode transformar algumas lojas em uma espécie de “campo de guerra”. Também online. É o início das compras de Natal, quando as lojas desovam seus estoques e os repõem com novas mercadorias. É também a oportunidade de trocar o que está velho pelo último modelo! Ou de comprar algo que tem feito muita falta no dia a dia ou substituir aquele aparelho que já deu tudo o que podia (até o osso!) e necessita realmente ser descartado e reciclado.

Mas, pra mim, é inacreditável ver esse movimento acontecer ainda com tanta força, mesmo com todo acesso à informação de que dispomos hoje. Afinal, as notícias dão conta de que, a cada ano, a temperatura está mais quente, mostram sinais evidentes de nossa pegada consumista ao mostrar a foto de um filhote de urso polar com um lata de alumínio presa na boca, numa região distante e que se imaginava quase intocada, e revelam as marcas do desmatamento na Amazônia, que troca árvores por bois e soja, sem dó. Só pra citar alguns temas urgentes.

Em resumo: como se pode ainda pensar em consumir por consumir neste momento em que é mais que evidente que não há mais planeta pra isso e que estamos destruindo a humanidade, não só o planeta, e todas as chances de as próximas gerações viverem bem na Terra?

Mas não quero me alongar no discurso contra a Black Friday. Prefiro buscar inspiração em movimentos ricos de significado como os incentivados pela Patagonianão a belíssima região argentina e chilena, mas a marca americana de roupas mais incrível que existe. Lembrei dela porque é exemplo de sustentabilidade (em todos os sentidos) e diariamente destina 1% de suas vendas globais para instituições ambientais: no último ano fiscal, foram doados US$ 7,1 milhões! Firme em seu propósito de contribuir para ajudar a transformar o mundo para melhor, ela sempre surpreende. Este ano, se superou.

Em vez de ignorar a famosa promoção blockbuster de consumo, ela participa de uma forma muito bacana. Vai doar 100% do resultado das vendas de suas 80 lojas espalhadas pelos EUA (e também na virtual), nesta sexta feira – que geralmente chegam a 2 milhões de dólares -, para uma grande rede de 800 organizações ambientais em várias partes do planeta, principalmente as que lutam para proteger os recursos naturais (água, ar, solo…) e trabalham em comunidades locais.

Para você ter ideia da dimensão do trabalho admirável realizado pela Patagonia – criada por Yvon Chouinard, um californiano adepto de esportes radicais, amante da natureza e ativista ambiental desde jovem -, listo, abaixo, alguns dos princípios adotados pela empresa e que, naturalmente, ajudam os consumidores a ampliar a consciência para os temais mais urgentes, contra os quais as pequenas ações são essenciais.

  • A mensagem que a marca passa para o público diariamente é a de que é melhor não comprar nada além do que o necessário e usar uma mesma peça de roupa por vários anos. Por isso, suas peças são duráveis.
  • Promove a ideia de que fazer reparos e a manutenção da roupa é uma forma de não deixá-las envelhecer ou acabar. Assim, mantém uma equipe de consertos formada por moradores da região onde a loja está instalada. Os preços são bastante acessíveis.
  • Outro mantra da Patagonia é que as roupas devem circular, então, doar é a solução para não desperdiçar. Além disso,  incentiva seus clientes a venderem suas roupas em lojas de segunda mão e a marca tem parceria com o site eBay, que compra e vende roupa usada.
  • Se o cliente não quer mais uma roupa da Patagonia porque está muito velha, também pode doá-la para reciclagem. Sim, isso mesmo! Para reciclagem de roupas. A empresa extrai as fibras dos tecidos e confecciona novas peças.
  • Parte dos estoques da marca é doada para instituições de caridade.
  • Pra finalizar, uma notícia recente, que mostra a diferença que uma empresa consciente pode fazer na vida de um país: no dia das eleições presidenciais, a empresa fechou todos os seus escritórios e lojas para que os funcionários não deixassem de votar, de participar desse momento tão importante.

Não é para admirar uma marca assim? Imagine se todas as lojas de varejo seguissem esse caminho, no mundo todo… E se a Patagonia pode ser tão engajada, todas as empresas de varejo podem, né? Basta vontade e organização, além de consciência e empatia com as pessoas e o planeta. Basta olhar para o mundo com outros olhos. E isso pode ser impulsionado com a atitude consciente de seus consumidores, da cobrança por ações que vislumbrem um futuro mais justo e saudável para todos. Deixar de comprar de uma marca por não concordar com suas políticas e ações, pode ajudar a mudar o mundo.

Se você conhece iniciativas brasileiras no varejo que seguem caminho similar ao da Patagonia, compartilhe com a gente e os leitores do Conexão Planeta nos comentários deste post.

Foto: Patagonia/Divulgação

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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