Bitcoin: uso de moeda virtual dispara e aumenta consumo de energia

Esta moeda digital surgiu em 2018 em uma lista de discussão e inaugurou um sistema bancário livre, permitindo transações financeiras sem intermediários. Foi isso que a fez estourar – de janeiro a maio deste ano, sua valorização foi de 120%! – e inspirar o surgimento de outras criptomoedas (moedas criptografadas) descentralizadas.

Fala-se muito na supervalorização da Bitcoin (por seu pioneirismo, essa moeda virou sinônimo de criptomoedas, como Gilette para lâminas de barbear) e que se trata de uma bolha prestes a explodir a qualquer momento. Mas é justamente por causa dessa “corrida do ouro” que as transações (ou mineração) da Bitcoin estão causando seríssimos problemas ao meio ambiente e contribuindo para a emissão de gases de efeito estufa e, consequentemente, para as mudanças climáticas.

Para ‘minerar’ (processar a transação) cada Bitcoin, é necessária grande quantidade de energia, que também resulta em contas de luz nas alturas. Boa parte da eletricidade que entra na rede da criptomoeda tem origem em usinas movidas a carvão, situadas na China, causando emissões de até 1kg de CO2 por quilowatt/hora (KWh).

Não se pode ignorar que, na China, também há grande incentivo econômico para a adoção de energia de baixo custo, o que leva muitos a optarem por fontes renováveis. Mas isso ainda demora para alterar essa realidade.

O site Digiconomist fez uma comparação interessante para exemplificar a dimensão do problema: em uma ‘mina’ de Bitcoin, situada no interior da Mongólia – cuja eletricidade tem origem em usinas movidas a carvão – uma transação da criptomoeda emite a mesma quantidade de carbono que um passageiro voando em um Boeing 747, durante uma hora.

O negócio está ficando tão sério que, desde 7/12, sua pegada de carbono está sendo divulgada no Índice de Consumo de Energia Bitcoin do Digiconomist. De acordo com a plataforma Power Compare, o consumo anual de eletricidade com a ‘mineração’ da Bitcoin é de 29,05 terawatts/hora, o que equivale a 0,13% do consumo total global de eletricidade.

Pode parecer pouco, mas não é: significa que a ‘mineração’ de Bitcoin está usando mais energia do que 159 países, entre eles Irlanda (25 terawatts/hora por ano; Bitcoin consome 16% a mais), Sérvia, Dinamarca e Nigéria. Não juntos, cada um, isoladamente. No continente africano, apenas África do Sul, Egito e Argélia gastam mais eletricidade por ano do que a ‘mineração’ da criptomoeda.

Isso significa que, se as máquinas de mineração da criptomoeda pioneira formassem um país, este estaria entre os 61 que mais consomem eletricidade. Pasme!

Somente no último mês, o consumo de energia com sua ‘mineração’ aumentou 29,98%. Se continuar assim, até fevereiro de 2020, poderá consumir toda a eletricidade mundial!

Mineração das criptomoedas e o gasto de energia

Neste sistema de criptmoedas são máquinas mineradoras e não governos ou bancos que atuam, usando ferramentas especializadas para lavrar algoritmos que registram transações na rede. É como se houvesse ‘garimpeiros’ que, quando encontram ouro, registram a descoberta em um protocolo de confiança (blockchain) e ganham fragmentos de uma Bitcoin recém-cunhada.

A energia despendida nessas transações depende da complexidade do algoritmo e da eficiência das máquinas usadas. E, para calcular a energia despendida, é preciso dividir a potência dos computadores pela potência das máquinas de mineração.

Mas todos os dados são estimativas não muito precisas já que geralmente ignoram a ‘pegada’ dos processos de resfriamento em operações de larga escala, além da existência de máquinas de gerações mais antigas (mais dispendiosas).

Foto: Michael Wuensch/Pixabay

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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