Bilionário cria fundo para proteger 30% das áreas naturais do planeta até 2030, atendendo as metas da ONU

O bilionário suíço Hansjörg Wyssé um dos maiores filantropos do mundo, segundo a revista Forbes. As principais causas que defende são o meio ambiente, a justiça social e a Ciência, mas ele também contribui com projetos históricos e museus, além de apoiar organizações políticas progressistas

Sim, ele é um rico socialista. Polêmico, em 2015, declarou-se publicamente a favor da cobrança de impostos mais altos sobre as heranças dos mais ricos.

E, desde que vendeu sua empresa, Synthes USA, em 2012, suas doações só aumentam porque ele aderiu ao The Giving Pledge, compromisso assinado pelas pessoas e famílias mais ricas (e bondosas) do mundo, dedicando a maior parte de sua riqueza à filantropia

Vale ressaltar que os ativos de suas fundações beneficentes – a Wyss Foundatione a Wyss Campaign for Nature (Wyss Campanha pela Natureza) – equivalem a quase 2 bilhões de dólares. 

Em 2017, Wyss era o 281o. na lista de bilionários da Forbes, com um patrimônio líquido estimado em aproximadamente US $ 5,5 bilhões. Na lista da Bloomberg, ele ocupava o 235o. lugar.

E, no mesmo ano, as duas instituições doaram mais de 350 milhões de dólares para projetos de conservação ambiental em florestas nacionais e terras públicas do oeste dos Estados Unidos. Mas foi em outubro do ano passado que ele deu um grande passo nesse sentido: criou um fundo de um bilhão de dólares (cerca de 3,84 bilhões de reais) para causas ambientais, administrado por sua fundação Wyss Campaign for Nature, em parceria com a National Geographic Society.

Esse fundo apoia iniciativas independentes, formuladores de políticas públicas e governos comprometidos com a meta de proteger pelo menos 30% das áreas naturais do planeta até 2030, estipulada pela ONU em sua 14a.Conferência da Biodiversidade, realizada em 2018. A intenção é apresentar alguns resultados já na próxima COP de Biodiversidade, em Kunming, China, em 2020.

E de que forma isso é possível? Eis algumas possibilidades: criar e expandir áreas protegidas em qualquer lugar do mundo, ajudar a incrementar as metas de conservação internacionalinvestir em Ciência

Mais: Wyss e a equipe de sua fundação – formada por estudiosos, especialistas e cientistas – acreditam que somente apoiando comunidades tradicionais, povos indígenas – que já sabem proteger a natureza e, às vezes, precisam apenas de um pouco de estrutura para se desenvolver– e outros povos de qualquer país, orientando para a conservação de terras, de águas, da fauna e da flora, será possível proteger o mundo naturaldo qual a humanidade depende tanto. Uma grande oportunidade para proteger os ecossistemas críticos para nossa sobrevivência

Critérios de seleção e primeiras iniciativas 

Para serem apoiadas pela Campanhade Wyss, as iniciativas de conservaçãopodem ser de atuação terrestre, marinha ou ambas, mas a maior exigência diz respeito ao tempo de existência – não podem ter sido criadas recentemente – e à estrutura: precisam provar que continuarão sua trajetória, mesmo sem o apoio do fundo. 

Os primeiros projetos contemplados estão concentrados na América do Sul: 
– o Parque Nacional Aconquija, a Reserva Nacional e o Projeto Parque Nacional Ansenuza, na Argentina; 
– a Reserva Marinha do Corcovado, na Costa Rica;
– Áreas Marinhas Protegidas do Caribe; e
– o Fundo Amazônico dos Andes, que impacta o Peru, a Colômbia, a Bolívia, o Equador, o Brasil e a Guiana.

O Brasil, de alguma maneira, está contemplado, mas bem que acoes mais efetivas poderiam ser financiadas pela Campanha de Wyss, principalmente agora, depois dos incêndios florestais. 

Em breve, serão beneficiados também:
– a Fundação de Conservação dos Cárpatos, da Romênia, que lidera os esforços de conservação nas montanhas dos Cárpatos; 
– a Área Protegida de Edéhzhíe (Dehcho) e a Área Nacional da Vida Selvagem, no Canadá; 
– Projeto Nimmie-Caira, na Austrália e 
– o Projeto do Parque Nacional Gonarezhou, no Zimbábue.

Para esses projetos, foram reservados 48 milhões de dólares.

De acordo com Greg Zimmerman, membro sênior da Campanha, ainda não foi definido o destino do restante do dinheiro do fundo porque a escolha de cada projeto é um processo longo. “Não vamos aplicar dinheiro para proteger uma área que corre risco de alteração de políticas de proteção por causa da mudança de governo”.

Além desses projetos, o fundo também apoia medidas de conservação da ciência e campanhas de conscientização de proteção da natureza.

Ampliando a consciência 

O filantropo acredita que essas doações ajudam a ampliar a consciência do público sobre o poder das iniciativas de conservação. Somado a isso, ele acredita na capacidade dos cientistas de identificar as melhores estratégias de proteção para o nosso planeta. Para tanto, precisam receber incentivos financeiros para continuar realizando estudos e pesquisas cada vez mais aprofundados. 

Wyss também destaca que seus objetivos podem ser facilmente alcançados com a ajuda dos povos indígenas, dos líderes locais e de grupos de conservação. “Todos podem fazer a diferença”’. 

Ele lembra que sua fundação já apoiou iniciativas que protegem áreas selvagens na África, América do Sul, Europa, Canadá, México e EUA. E que doou mais de 450 milhões de dólares para conservar 40 milhões de acres de terra e água nessas regiões.

A sustentabilidade na vida prática

Wyss ama a natureza. É caminhante, trilheiro, esquiador e mochileiro ativo. Também é piloto por hobby. Vive em Wyoming, onde participa de programas de educação ao ar livre e financiaprojetos locais de conservação da vida selvagem em terras públicas nas Montanhas Rochosas. 

Em 2000, o bilionário comprou um rancho – Halter Ranch & Vineyard– de 3.600 acres, no oeste de Paso Robles, Califórnia, onde mantém uma reserva de vida selvagemde 1.800 acres e uma vinha de 281 acres que produz 13 variedades da bebida, a partir de métodos certificados e sustentáveis. 

Foto: Wyss Foundation

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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