Beija-flores, maravilhas voadoras

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Alguns animais são tão incríveis que nos encantam há milênios, como é o caso dos beija-flores ou em tupi-guarani os guainumbis. (Na foto acima, beija-flor-tesoura – Eupetomena macroura – no centro de São Paulo, uma das espécies mais abundantes nas cidades brasileiras).

Estas belas aves estão presentes na mitologia de inúmeras nações indígenas e são protagonistas de histórias como a da origem dos rios Iamulumulu, narrada pelos índios Kamaiurá. Segundo a lenda que eles contam, para salvar a humanidade da falta d’água o irmão lua se transforma em um beija-flor e voa em busca de novas fontes de água limpa.

Quando os primeiros europeus desembarcaram por aqui e viram um beija-flor ficaram tão perplexos que pensaram que aquilo seria o cruzamento de uma abelha com uma ave.

A propósito, os beija-flores aparecem com destaque nos diários de Cristóvão Colombo, que os chamou de “maravilhas voadoras”. As aves eram alvo de tamanha admiração que, poucos anos após o descobrimento do Novo Mundo, um beija-flor foi enviado ao Papa como presente.

Embora hoje habitem somente o continente americano, seus ancestrais surgiram na Europa há cerca de 30 milhões de anos. Em uma jornada épica, as aves cruzaram a Ásia, atravessaram o estreito de Bering, chegaram a América do Norte e, finalmente, se estabeleceram na América do Sul.

No vídeo, abaixo, uma das mais belas espécies da Mata Atlântica, o Thalurania glaucopis ou beija-flor-de-fronte-violeta


Recentemente, pesquisadores descobriram evidências de que o crescimento populacional dos beija-flores, há 6 milhões de anos ocorreu em sincronia com a expansão das plantas com flores. Esta relação entre beija-flores e flores é tão íntima que algumas flores, como as da planta Heliconia Tortuosa, são capazes de identificar que espécies de beija-flores as visitam.

Cientistas já catalogaram mais de 300 espécies da ave: 83 vivem no Brasil e 8 estão ameaçadas de extinção, segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas (IUCN).

Os beija-flores são tão velozes que podem bater as asas 80 vezes por segundo e voar a 45 km por hora. São as únicas aves capazes de se manter paradas no ar, se deslocar verticalmente, e até dar marcha à ré.

Mas um voo tão rápido é impossível sem um combustível de alto desempenho, certo? É por isso que o metabolismo dos beija-flores é considerado um dos maiores prodígios da evolução. Estas aves são capazes de repor toda a energia gasta em seu voo, queimando rapidamente todo o açúcar ingerido através do consumo de néctar.

Em 2013, equipe de cientistas da Universidade de Toronto comprovou que os beija-flores estão igualmente adaptados tanto para queimar glucose quanto frutose. Ficou provado que o açúcar não faz mal algum aos beija-flores, por isso não é necessário comprar nenhum tipo de açúcar especial para bebedouros.

Para alimentar estes charmosos visitantes de forma adequada, basta preparar solução composta de uma porção de açúcar comum para cada quatro doses de água. Para evitar fermentação, substitua a solução a cada dois dias, no máximo, e todos os dias, no calor.

Entretanto, é indispensável limpar periodicamente os bebedouros. Mas, atenção! Não use detergente ou cloro, já que ambos podem contaminar o bebedouro ou, pior, acelerar a liberação de BPA (composto químico tóxico presente na maioria dos plásticos). Para limpar o recipiente, utilize apenas vinagre branco e esponja limpa e enxágue com água corrente.

No vídeo, abaixo, o beija-flor-cinza (Aphantochroa cirrochloris), que utiliza o canto na defesa do território como a maioria das demais aves canoras

Se interessou em observar os beija-flores mais de perto? Então, que tal agora mesmo começar a atrair estas maravilhas voadoras para a sua janela? Além de bebedouros, você pode utilizar algumas plantas como o brinco-de-princesa, lanterna-japonesa, flor-de-maio, camarão, maria-sem-vergonha, russélia, ixora, pentas e lantana.

Foto e vídeos: Sandro Von Matter

Pesquisador em ecologia e conservação, se dedica a investigar questões sobre o topo das florestas tropicais e as fascinantes interações entre animais e plantas. Hoje, à frente do Instituto Passarinhar, é um dos pioneiros em ciência cidadã no Brasil, e desenvolve projetos em conservação da biodiversidade e restauração ecológica, criando soluções para tornar os centros urbanos mais verdes.

Sandro Von Matter

Pesquisador em ecologia e conservação, se dedica a investigar questões sobre o topo das florestas tropicais e as fascinantes interações entre animais e plantas. Hoje, à frente do Instituto Passarinhar, é um dos pioneiros em ciência cidadã no Brasil, e desenvolve projetos em conservação da biodiversidade e restauração ecológica, criando soluções para tornar os centros urbanos mais verdes.

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