Basilisco: o lagarto que corre na superfície da água

Répteis precisam aumentar a temperatura de seus corpos antes de começarem suas atividades diárias. Até que isso aconteça, eles são lentos e vulneráveis. A melhor maneira de ganhar calor e resolver esse empecilho é tomando um banho de sol. O problema é que os animais se expõem e podem ser facilmente avistados por predadores. O basilisco (Basiliscus sp.) resolveu essa questão com uma habilidade extraordinária, que lhe rendeu seu apelido em inglês: Jesus Christ lizard, o lagarto Jesus Cristo (veja os vídeos no final do post).

Ele descansa em galhos ou arbustos próximos de pequenos lagos ou riachos. Quando se sente ameaçado, ao invés de fugir para a florestacomo seria esperado de qualquer outro lagarto – ele pula e corre na superfície da água, ganhando segundos preciosos para escapar enquanto o predador tenta entender o que acabou de acontecer.


Basilisco tomando banho de sol – Foto de Dennis Jäger & Sammler/Creative Commons

A explicação para o fenômeno é uma combinação de anatomia e velocidade. O basilisco possui patas traseiras com dedos longos, dotados de uma estrutura semelhante a uma franja, que se desdobra ao atingir a água e cria bolhas de ar que dão sustentação ao lagarto.

Durante a corrida, seus pés se movem com força e rapidez tão grandes que eles nunca afundam mais do que alguns centímetros. Um humano precisaria correr a 104 quilômetros por hora para conseguir essa façanha.

Então, se algum dia você se deparar com um basilisco, se prepare! Um milagre pode estar prestes a acontecer bem diante de seus olhos.

A habilidade de correr na superfície da água rendeu o apelido do basilisco em inglês: Jesus Christ lizard (lagarto Jesus Cristo)
Foto de George Lin/Creative Commons

Foto de abertura: Basilisco-verde (Basiliscus plumifrons), o lagarto Jesus Cristo em foto de Marcel Burkhard Cele4/Wikimedia Commons

Fábio Paschoal

Apaixonado por animais desde criança, logo decidiu estudar Biologia, formando-se pela USP em 2005. É técnico em turismo e trabalhou como guia a partir de 2008, tendo conduzido, por três anos, passeios de ecoturismo no Pantanal e na Amazônia. De 2011 até 2016, foi repórter e editor do site da revista National Geographic Brasil, onde nasceu o blog Curiosidade Animal (desde dezembro de 2016, aqui, no Conexão Planeta).

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