Barbie lança (finalmente) modelos cadeirante e com prótese na perna

Barbie lança (finalmente) modelos em cadeiras de rodas e com prótese na perna

Já era hora. Aliás, o anúncio do lançamento de diversos novos modelos da boneca Barbie, pela fabricante de brinquedos Mattel, foi ao mesmo tempo, celebrado, mas também criticado.

Certamente o que mais chamou a atenção foram a Barbie cadeirante e a com prótese na perna, mas há também uma com a pele cor de jambo, outra negra com cabelos curtos, uma com dreadlocks e dois modelos com características físicas mais parecidas com a da população global, ou seja, não são magérrimos.

As novidades são muito mais do que bem-vindas. Milhões de crianças no mundo inteiro desejam ver, em seus bonecos e bonecas, a representação delas mesmas. São meninas e meninos com tipos físicos diferentes, de raças e cores de pele distintas, com ou sem deficiências.

O brincar abre as portas para o criar e o despertar da imaginação e nesse “universo paralelo” é importantíssimo que as crianças também se vejam representadas.

Segundo a Mattel, os novos modelos, que chegarão ao mercado em junho de 2019, foram desenvolvidos em conjunto com jovens deficientes. A ativista Jordan Reeves, de 13 anos , que nasceu sem um dos braços, foi uma delas. A prótese da nova Barbie pode ser removida, assim como uma real.

Já a concepção da boneca na cadeira de rodas contou com a ajuda dos pacientes de um hospital pediátrico na Califórnia.

Por incrível que pareça, a Mattel revelou que este era um dos modelo mais pedidos pelos colecionadores da Barbie. Por que então a marca demorou tanto para lançá-lo? Mais exatamente, 60 anos?

Na verdade, segundo reportagem escrita pelo jornalista Sarah Kim, na revista Forbes, a fabricante de brinquedos já teria lançado uma Barbie cadeirante no passado.

De acordo com Sarah, ela mesma um cadeirante e especialista em assuntos sobre diversidade e inclusão, a Mattel teria apresentado uma Barbie em uma cadeira de rodas cor de rosa, em 1997. Nas duas primeiras semanas de vendas, teriam sido comercializadas 6 mil dessas bonecas.

Beckie – este era seu nome – parece ter encontrado no mundo mágico das brincadeiras, as mesmas barreiras enfrentadas por deficientes no mundo real: a cadeira de rodas da boneca não entrava na casa da Barbie e em outros acessórios da marca. A empresa decidiu então suspender a produção da versão cadeirante (não se sabe exatamente porquê).

Se passaram quase 20 anos e o lançamento de outros 100 modelos de Barbie para que agora, em 2019, finalmente crianças cadeirantes possam se espelhar na famosa boneca.

Hora de mudança

Durante muito tempo, a marca de bonecas Barbie disseminou o conceito da “beleza estereótipo”, vendida pela publicidade como a da “perfeição”: mulheres loiras, magérrimas, de seios grandes e cintura finíssima. Apesar de ser o sonho de consumo de milhões de meninas ao redor do mundo, ela simplesmente não refletia a realidade, nem a diversidade das pessoas.

Mas parece, que nos últimos anos, a marca se deu conta de seu papel social e mudou seu marketing, retratando as diferenças e a pluralidade das mulheres.

Em março do ano passado, por exemplo, para celebrar o Dia Internacional da Mulher, foram lançadas novas personagens da coleção Mulheres Inspiradoras: a artista e ativista mexicana Frida Kahlo; a primeira aviadora a atravessar o Oceano Atlântico, a americana Amelia Earhart; e a física, cientista espacial e matemática da Nasa, Katherine Johnson.

A Mattel afirmou que o objetivo da coleção era empoderar e incentivar meninas a serem tudo que quiserem.

Coleção Mulheres Inspiradoras lançada em 2018

No final de 2017, houve outro passo corajoso. A Mattel divulgou no Instagram Barbie Style fotos da boneca e uma nova amiga, usando camisetas com a expressão Love Wins (O amor vence), adotada pelos grupos pró-casamento gay nos Estados Unidos, que se tornou slogan das lutas da comunidade LGBT (leia mais aqui ).

Por mais diversidade e inclusão: representação do mundo real

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Imagens: divulgação Mattel

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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