Barbie ganha linha especial de bonecas e bonecos negros depois das versões careca, com vitiligo, prótese…

Se você pensa que faz pouco tempo que a boneca mais famosa do mundo aderiu à diversidade é porque não conhece sua história. A primeira boneca negra, por exemplo, foi produzida em 1980 (veja no final deste post). Foi em 2016, que o corpo da Barbie começou a ser modificado e ela ganhou as versões bem alta, baixinha, negra, fora do peso (ou curvilínea), entre outras.

Mas, nos últimos dois anos, a inclusão de novos tipos, com peles mais escuras, profissões inusitadas e condições especiais têm se transformado em rotina para os designers responsáveis pela criação. E isso tem sido importante para acabar com o estereótipo da Barbie loira, branca e magra. E, no mesmo estilo, seu par, Ken.

Este ano, a Mattel, fábrica que produz a Barbie no mundo, trouxe novidades logo em janeiro: lançou versões negras com vitiligo e prótese em uma das pernas. Além de uma Barbie careca, branca, que pode fazer alusão às mulheres que tratam de câncer ou que são muito modernas e desapegadas. Outra cadeirante, uma de cabelos ruivos e enrolados. E um Ken loiro, mas com cabelos compridos. Foram 32 novos modelos, que ainda introduziram vários tons de pele, cores de olhos, texturas e cores de cabelo.

Em fevereiro, lançou uma linha especial de bonecas e bonecos negros, com foco em profissões (boxeadora, médicos, influencers, juízes, na foto de abertura deste texto) e nos mais diversos tipos físicos e cabelos (penteados, formatos e cores, abaixo)).

Mais inclusão, com mais representatividade para celebrar o mês da História Negra nos Estados Unidos, o equivalente ao mês da Consciência Negra, no Brasil.

Todos fazem parte da coleção chamada de fashionistas. Nas redes sociais, a hashtag que tem acompanhado os novos estilos diz muito sobre eles: #YouCanBeEverything, em tradução livre: Você pode ser o que quiser. Bela mensagem.

Em seu Instagram, a empresa escreveu: “Barbie está empenhada em mostrar às meninas que elas podem ser tudo o que quiserem. E este é o mês da história negra”. Sim, elas podem ser o que elas quiserem. Meninos e meninxs também.

Mulheres negras célebres e os Jogos Olímpicos

Em seu Instagram, a Barbie divulgou uma coleção de mulheres negras incríveis, cada uma em sua área: a cantora Ella Fitzgerald, a ativista Rosa Parks (símbolo do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos) e a matemática, física e cientista espacial norte-americana Katherine Johnson (que morreu na semana passada, aos 101 anos!). Lindas, as bonecas, não? Mas elas talvez não cheguem por aqui.

Quem sabe a Mattel poderia criar bonecas inspiradas em mulheres negras incríveis do Brasil como Djamila Ribeiro, Conceição Evaristo, entre outras.

Na mesma rede social, anunciou também uma coleção que ainda não tem data para ser lançada e que homenageia os Jogos Olímpicos em Tóquio, este ano, com bonecas atletas, de quase todas as raças: faltaram japonesas, poxa!

Brincar de boneca não precisa ser alienante, nem privilégio das meninas. Pode, sim, ser uma ótima oportunidade para que as crianças compreendam melhor o amplo leque de raças, condições e relações existe em nossa sociedade, com todo o respeito. Para que cresçam sem preconceito e com empatia.

Ainda falta identificar pessoas mais velhas, e quem sabe drags, trans… o caminho é longo. E a boneca mais famosa do mundo pode ajudar nisso, colocando sua fama a favor desse movimento por uma sociedade mais justa e inclusiva, por que não?

Fotos: Divulgação e Reprodução do Instagram

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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