Barbie, agora, tem namorada

Durante muito tempo, a boneca Barbie e suas versões foram alvo de críticas por causa de seu corpo irreal: magérrima, cintura extremamente fina – quase anoréxica! -, tamanho mediano e com peitos fartos. Essa imagem fake do corpo feminino, reproduzida numa boneca adorada no mundo todo, chegou a afetar as vendas. E, aos poucos, a Mattel compreendeu que precisava acompanhar as transformações comportamentais do mundo para continuar a manter suas vendas.

Nos anos 1960, isso já havia sido entendido, rapidamente. Tanto que ela lançou a Barbie negra.

Mas, depois, ao longo de sua história, a novidade ficou sempre a cargo da cor e do estilo do cabelo, das roupas, dos acessórios, do carro, da casa, do namorado, Ken, dos filhos ou sobrinhos,  e também de sua profissão. Foi somente no ano passado que a Mattel lançou três novos modelos, enfatizando o formato do corpo. Uma baixinha, uma muito alta e magricela e uma Barbie que ela chamou de ‘curvilínea’, mais cheinha, gordinha mesmo, com barriga saliente e coxas grossas.

Agora, a novidade não tem a ver com o aspecto físico da boneca, mas, sim, com gênero. Mas é apenas uma sugestão divulgada no Instagram Barbie Style. Ela não usou a palavra girlfriend, ou namorada, mas é o que se entende pelas circunstâncias.

Uma das fotos publicadas, por exemplo, mostra Barbie e sua nova amiga usando camisetas com a expressão Love Wins (O amor vence), adotada pelos grupos pró-casamento gay nos Estados Unidos, que se tornou slogan das lutas da comunidade LGBT.

A camiseta, na verdade, faz parte de uma campanha criada pela ativista e blogueira Aimee Song (que inspirou o visual da nova amiga da Barbie e também lhe dá nome) pela causa gay. Metade das vendas dessa peça é revertida para o The Trevor Project, iniciativa de prevenção do suicício entre jovens LGBTQ.

Muito bacana a iniciativa da Song e também a ousadia da empresa ao oferecer um outro olhar para as brincadeiras das crianças, mais de acordo com a realidade. Afinal, todas as possibilidades estão aí e, cada vez mais, as estruturas familiares se modificam.

Ken não ‘dançou’

Claro que a primeira coisa que vem à mente, quando se sabe da relação da Barbie com Aimee é de que o Ken ‘dançou’. Afinal, ele era um bobão e a relação deles nunca foi boa.

Mas esta novidade não significa que o Ken ‘perdeu a majestade’ na Mattel. Há lugar pra todos nesse universo. E, na verdade, quem faz a brincadeira são as garotas e elas podem reintroduzir o Ken em suas histórias, envolvê-lo com outras bonecas…

Dizer que eles não deram certo faz parte do nosso imaginário. Mas, na verdade, tudo depende da criatividade, da realidade de cada garota que brincar com as bonecas e de sua abertura para inventar histórias.

Que bom que, cada vez mais, é possível aproximar a brincadeira da realidade, sem preconceito e moralismo. Imprescindível para ampliar o entendimento dos jovens de que se deve respeitar as diferenças.

Abaixo, mais algumas produções fotográficas com as duas amigas:

Fotos: Divulgação

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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