‘Banquetaço’ contra a fome e a favor da comida de verdade será servido por chefs de cozinha em 40 cidades

Medida Provisória 870, publicada no primeiro dia do governo Bolsonaro “cometeu diversas maldades” contra os direitos humanos, entre elas a polêmica e absurda transferência da Funai para o Ministério da Agricultura (literalmente, entregou o destino dos indígenas para os ruralistas) e a extinção do Consea – Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, órgão que tem garantido o direito à alimentação saudável e ajudado a driblar a fome em inúmeras regiões do país, desde que foi criado em 1993, por Itamar Franco.

O Consea é uma espécie de guardião da comida de verdade, como dizem, carinhosamente, especialistas e ativistas dessa área. 

Por causa da extinção desse conselho – que, pela supressão de trechos da Lei 11.346/2006 na MP 870, passou a responder ao Ministério da Cidadania (de Damares!), que não o regularizou – e também do avanço dos agrotóxicos, ativistas da alimentação saudável, chefs de cozinha brasileiros e de outras nacionalidades e produtores do campo se uniram para realizar um Banquetaço Nacional.

Assim, em 27 de fevereiro, quarta-feira, serão distribuídas gratuitamente mais de 15 mil refeições a maior parte preparada com produtos da agricultura familiar e de agroecologia – para 41 banquetes que realizados ao ar livre em 40 cidades espalhadas por 22 estados. Não é lindo?

Veja a lista atualizada no final deste post.

O horário oficial do banquete é 12h, mas cada cidade escolheu a hora e o período que melhor lhe convém para essa linda manifestação. Assim, das 8h às 20h – por 12 horas!!! – milhares de pessoas estarão unidas pela mesma energia em Banquetaços em algum lugar do país.  

Não sei se vocês lembram, mas o primeiro Banquetaço foi organizado em 2017 (fotos de destaque e mais abaixo) para protestar contra a farinata do Dória, então prefeito de São Paulo. Resultado: foram servidas refeições deliciosas preparadas com ingredientes doados e o político marqueteiro teve que desistir da invenção nojenta que queria oferecer nas merendas e aos pobres como um composto vitamínico e nutricional. O que não é de verdade não se sustenta, a gente sabe.

Retrocessos, não!

Não é possível que, depois de tantos avanços – muitos obtidos com a atuação do Consea – tenhamos que retroceder tanto por causa de interesses escusos de políticos ruralistas e empresários do agronegócio.

Foi o Consea que ajudou a definir e aprimorar políticas públicas como o Fome Zero. Também esteve à frente da implantação da Política e do Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, do Programa Nacional de Alimentação Escolar e do Guia Alimentar da Alimentação Brasileira.

Foi o Consea também que lutou para garantir a revisão da rotulagem nutricional e de medidas fiscais das bebidas açucaradas para conseguir reduzir o uso excessivo do açúcar (totalmente alterado) e seu consumo. 

Não são poucos os projetos importantes e bem sucedidos nessa área que tiveram a participação desse conselho. E, por isso, na semana passada, em 19/2, a procuradora federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal (MPF), Deborah Duprat, declarou que a extinção do Consea é inconstitucional. Ela recomendou a reabertura imediata do órgão e requisitou à Procuradoria Geral da República, dirigida por Raquel Dodge, que seu pedido ingresse no Supremo Tribunal Federal (STF).   

Ao mesmo tempo, também não é possível que, depois do aumento do reconhecimento dos alimentos orgânicos pela população – o que ajuda a driblar os preços altos -, tenhamos que aceitar o envenenamento cada vez maior de nossa comida com a aprovação de tantos pesticidas numa velocidade nunca antes vista.

Na semana passada, escrevi sobre a aprovação de mais agrotóxicos pelo Ministério do Meio Ambiente, Anvisa e Ibama: A cada 24 horas um ou mais agrotóxico é aprovado no país, em 2019. É inacreditável o que este governo está fazendo para extinguir a comida de verdade do prato dos brasileiros. Por isso, não podemos nos calar. E, por isso, é tão imprescindível participar de mobilizações como o Banquetaço.

Bora ver se sua cidade aderiu ao movimento! E, se não, convide os amigos para um “banquete” na sua casa, reúna gente para debater o tema em qualquer lugar. O importante é se mobilizar e criar uma corrente pela vida, pela comida de verdade.

Acompanhe pelas redes sociais e participe da cobertura!

No Facebook, você pode acompanhar tudo pela página do Banquetaço Nacional, mas cada cidade criou a sua. Além disso, o Banquetaço tem um perfil no Instagram.

A Mídia Ninja, grande parceira de divulgação do Banquetaço, vai acompanhar tudo o que rolar pelas cidades que aderiram ao movimento e convida todos a contribuir com essa cobertura.

Além de usar hashtags como #Banquetaço #Consea #ComidaDeVerdade e #BrasilSemFome, os interessados podem se inscrever na iniciativa Cubra o Banquetaço para enviar fotos, textos e vídeos do Banquetaço na sua cidade.

Cidades onde os banquetes vão acontecer

São 40 cidades em 22 estados. Em Fortaleza, serão realizados dois encontros. Minas Gerais é o estado com mais cidades participantes: sete. O segundo é São Paulo, com seis. No Facebook, a organização mantém a lista atualizada com endereços e horários, acompanhe.

NORTE
– ACRE: Rio Branco
– ALAGOAS: Maceió
– AMAZONAS: Manaus
– PARÁ: Belém

NORDESTE
– BAHIA: Salvador e Porto Seguro
– CEARÁ: Fortaleza (em dois endereços) e Juazeiro do Norte
– RIO GRANDE DO NORTE: Natal
– PERNAMBUCO: Recife
– MARANHÃO: São Luiz 
– PARAÍBA: João Pessoa e Campina Grande
– SERGIPE: Aracaju

CENTRO OESTE

– DISTRITO FEDERAL: Brasília
– GOIÁS: Goiânia
– MATO GROSSO DO SUL: Campo Grande
– TOCANTINS: Palmas

SUDESTE
– MINAS GERAIS: Belo Horizonte, Juiz de Fora, Poços de Caldas, Viçosa, São João Del Rey, Divinópolis, Lavras e Pompeu 
– ESPÍRITO SANTO: Vitória
– RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro
– SÃO PAULO: São Paulo, Ribeirao Preto, Botucatu, Guarujá, São Jose dos Campos e Santo Antonio do Pinhal

SUL
– PARANÁ: Curitiba e Maringá
– SANTA CATARINA: Florianópolis
– RIO GRANDE DO SUL: Porto Alegre, Caxias do Sul e Santa Maria.

Fotos: Divulgação/Banquetaço em 2017

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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