Banco online reúne experiências alternativas de desenvolvimento


Quem acompanha meu blog, aqui no Conexão Planeta, já percebeu que, além da economia solidária, me interesso e trago para cá experiências de propostas que são alternativas ao modelo de desenvolvimento dominante. Debater novos paradigmas e modelos de desenvolvimento é fundamental nesse século XXI. Visualizar e ajudar a desenvolver uma outra economia, outra organização da sociedade, buscando colocar as pessoas no centro, atender suas necessidades e, ao mesmo tempo, respeitar os limites do planeta.

Na busca por experiências concretas nesta direção – sejam elas economia solidária, negócios de impacto, associativismo, enfim, há uma variedade cada vez maior delas – encontrei o Banco de Práticas Alternativas.

O Banco é parte do projeto Novos Paradigmas, desenvolvido pela Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong) e o Iser Assessoria, que busca justamente reunir as experiências de grupos que estão aprofundando as reflexões e construindo alternativas, buscando tornar visíveis práticas sociais que iluminem a possibilidade de outras construções coletivas, modelos de produção e alimentação saudáveis.

As iniciativas nessa direção se multiplicam. Para se ter ideia de sua dimensão, no Banco é possível realizar buscas por tema, que incluem energia, arte, experiências de transição, comunicação, cidade, agua, agricultura, saúde popular, práticas democráticas, povos tradicionais, habitação e floresta. E elas estão espalhadas por diversas partes do Brasil. O Banco também tem espaço para inserção de práticas, basta preencher um pequeno cadastro.

“Estamos nesse projeto com a Abong, que é o Novos Paradigmas, para pensar um pouco a nossa organização da sociedade, da economia, para enfrentar as mudanças climáticas, que já estão acontecendo. Elas são cada vez maiores, vemos isso no Brasil e em vários lugares do mundo. Há uma consciência crescente da população sobre isso, mas para enfrentar essas mudanças precisamos mudar a maneira como nos organizamos e produzimos, o modo como vivemos em sociedade. Queremos, com esse banco de práticas alternativas, mostrar que é possível fazer diferente e organizar a sociedade de forma diferente”, diz Ivo Lesbaupin, diretor do Iser Assessoria.

E as iniciativas do Banco já descortinam que, em muitos lugares do Brasil e do mundo, estão ocorrendo experiências práticas que mostram que é possível fazer diferente. As iniciativas estão reunidas numa plataforma online, de fácil acesso, dedicada também a possibilitar a troca de experiências, mostrar o que comunidades, grupos, coletivos têm feito pelo Brasil afora e compartilhar práticas nossas. “Hoje, o Banco tem cerca de cem práticas já cadastradas, de todo o Brasil e também da América Latina”, diz Raquel Catalani, assessora do projeto Novos Paradigmas.

Soluções para a escassez de água no Nordeste. Geração de energia solar. Bancos de sementes, hortas urbanas, redes de empreendedores e empreendedoras, comercialização de produtos ecossociais, rede de comércio justo e solidário, jovens gerando renda na agricultura familiar, dentre muitas outras iniciativas criam um mosaico que vai aos poucos demonstrando que os novos paradigmas já vêm sendo exercitados em diversas partes, por diversos grupos.

De acordo com Mauri Cruz, diretor executivo da Abong, o Projeto já vem sendo desenvolvido há quatro anos, com apoio da Misereor, uma agencia de cooperação alemã, e promove também a sistematização de dados em materiais diversos e seminários. “Debatemos um outro tipo de desenvolvimento partindo da premissa que o modelo que temos hoje é insustentável e é preciso construir um novo modelo, e o Banco de Práticas Alternativas mostra que as bases desse novo modelo já estão sendo desenvolvidas por movimentos e ações da sociedade civil brasileira, latino-americana e internacional”.

Foto: Mario-Gogh/Unsplash

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

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