Banco Maré usa plataforma digital para promover inclusão e acesso a serviços bancários em comunidade carioca

Inovação é uma palavra em que cabe um mundo de coisas. Inclusive o digital. Hoje trago, aqui, uma iniciativa que proporciona aos moradores do bairro da Maré, no Rio de Janeiro, inclusão digital e acesso a serviços bancários: o Banco Digital Maré.

A partir do mantra ‘simplificar para os mais simples’, esse banco facilita o acesso a serviços financeiros sem análise de crédito, consultas a cadastros de devedores e outras formas de exclusão financeira. Uma startup social que atende regiões sem acesso ao sistema financeiro.

Por meio de um aplicativo, os usuários pagam contas, transferem valores e fazem compras. A intenção é também valorizar a economia local, promovendo a inclusão digital nas comunidades. O pagamento das contas é feito em moedas digitais, as Palafitas.

O Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, concentra mais de 200 mil pessoas. É um dos maiores conglomerados de favelas da cidade. Os moradores não têm acesso a nenhuma agência bancária, lotérica ou caixa eletrônico para realizar suas transações financeiras.

O analista de sistemas Alexandre Albuquerque viu, nessa situação, uma possibilidade de desenvolvimento de soluções para a comunidade. Junto com amigos na mesma área de atuação, desenvolveu, a partir de uma parceria com empresas, uma moeda digital que funciona via aplicativo, e que recebeu o nome de Palafita em homenagem aos primeiros habitantes da Maré, que viviam em casas nas margens da Baía de Guanabara.

“Conhecemos o Complexo da Maré, vimos todas aquelas pessoas sem acesso à educação de ensino médio.. No início, queríamos criar uma escola para ensinar programação, mas não parecia possível. Então, pensamos em resolver outro problema, que é o fato de que os moradores não têm onde pagar suas contas”, diz Alexandre.

A solução proposta para a Maré foi o desenvolvimento de um aplicativo com a tecnologia blockchain e de moeda digital. É possível fazer recarga de moedas no comércio local e pagar contas.

“Hoje, atendemos toda a Maré e estamos chegando em uma comunidade em Alagoas. Nosso corpo de funcionários é predominantemente de moradores da comunidade: são dez e, destes, sete conseguiram entrar em faculdades”, afirma Alexandre.

Estima-se que haja cerca de 55 milhões de brasileiros desbancarizados, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular. Isso representa quase 40% dos moradores do país com mais de 18 anos, que movimentam aproximadamente R$ 655 bilhões. Desse total, 37% são pessoas de classe baixa e 48% de classe média.

Na verdade, há desbancarizados em todas as classes sociais, por diversas e diferentes razões, desde dificuldade de acesso a rede bancária em cidades do interior, problemas financeiros que levam ao endividamento e até a opção de não ter relacionamento com bancos para evitar pagamento de taxas.

A solução proposta pelo Banco Digital Maré busca descomplicar o acesso a esse tipo de serviço, ao mesmo tempo em que promove a inclusão digital da comunidade e valoriza a economia local com a circulação das Palafitas.

A tecnologia social dos bancos comunitários e moedas sociais em circulação, tema que já abordei aqui, no Conexão Planeta, não é nova. E continua se mostrando potente para movimentar a economia das comunidades. Seja ela analógica ou digital.

Foto: Thought Catalog/Unsplash

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

Deixe uma resposta