Banco Caparaó incrementa atividade e se une à rede de bancos comunitários brasileiros

A rede de bancos comunitários brasileiros, sobre a qual já falei aqui no Conexão, vem aumentando cada vez mais. O Banco Comunitário Caparaó, no Espírito Santo, se soma a dezenas de outros em funcionamento no país, que promovem a dinamização e a valorização da economia nas comunidades. Criado em 2016, por iniciativa da Associação de Produtores do Vale do Portal do Céu (Apropav), o banco elegeu, em julho último, sua equipe de análise de crédito e seus agentes de desenvolvimento.

O passo seguinte é aprovar a política de concessão de crédito e então realizar sua inauguração oficial, com ao menos dois serviços em atividade: concessão de crédito produtivo para fortalecer a economia familiar e o pagamento de contas de energia elétrica.

A moeda social que circulará na região de Caparaó e que fará o dinheiro girar dentro da própria comunidade é o Tico-Tico. Dentre os parceiros do banco estão a Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes) do governo do Espírito Santo e a EDP Escelsa.

A Aderes efetivou em abril, por meio de uma linha de apoio a bancos comunitários, repasse de recursos para custeio de despesas de manutenção do Banco Caparaó. Além dele, a agência apoia outros sete bancos comunitários no estado, localizados em Vitória, Cariacica, Vila Velha, Serra e Pedro Canário.

“Os bancos comunitários formam um segmento que beneficia regiões com população em situação de vulnerabilidade social no Espírito Santo, prestando serviços de economia solidária, como empréstimos produtivos, habitacional e de consumo a juros mínimos; recebimentos de contas, devido à distância dos bancos convencionais; além de outras ações”, explica o diretor-presidente da Aderes, Edilson Rodes.

A criação do Banco Comunitário Caparaó aconteceu em agosto de 2016, por iniciativa da Aprovap, reunindo 40 representantes da comunidade durante a realização do I Fórum de Economia Solidária local. Desde então, foi formado um comitê de crédito com nove pessoas, responsável por definir o plano de crédito e dar continuidade aos projetos do banco. Nesse tempo, até a realização do II Fórum em 2018, promoveu reuniões trimestrais e possibilitou três microcréditos com recursos arrecadados em uma festa pró-banco comunitário. Hoje, com as novas parcerias, a instituição financeira já tem sede própria e começa a captar recursos para efetuar novos empréstimos e a contratação de agentes de desenvolvimento

O primeiro banco comunitário do estado do Espírito Santo, o Banco Bem, já tem mais de uma década de existência e cerca de 14 mil pessoas atendidas. Nesse tempo, foram concedidos R$ 1,3 milhão em empréstimos e mil linhas de crédito liberadas entre moradores de oito comunidades capixabas. Atualmente são 11 bancos comunitários no estado. Ao todo, são atendidos 31 mil habitantes, no que é conhecido como ‘Território do Bem”: as comunidades de São Benedito, Jaburu, Floresta, Bonfim, Engenharia, Bairro da Penha, Itararé e Consolação.

Inspirado e apoiado pelo Banco Palmas, de Fortaleza, Ceará, hoje o Banco Bem é o segundo maior banco comunitário da América Latina, apenas atrás do próprio Banco Palmas.

 

Foto: Pexels

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

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