Bali proíbe uso de sacolas plásticas, canudos e embalagens de isopor

Bali proíbe uso de sacolas plásticas, canudos e embalagens de isopor

Desde o começo desta semana, a ilha de Bali, um dos destinos turísticos mais famosos do mundo, se tornou a primeira província da Indonésia a banir o comércio e distribuição de sacolas plásticas descartáveis, canudinhos e embalagens feitas com poliestireno, chamado popularmente de isopor.

Tanto este último como o plástico são materiais proveniente do petróleo e têm um enorme impacto no meio ambiente: demoram milhares de anos para se decompor na natureza, liberando substâncias químicas no solo e na água.

No começo do ano, a prefeitura da capital de Bali, Denpasar, anunciou a proibição das sacolas plásticas em supermercados, lojas de conveniência e shopping centers.

Agora, seis meses depois, o texto da lei foi ampliado e vale para qualquer estabelecimento comercial.

A força do ativismo dos jovens

O movimento Bye Bye Plastic Bags, liderado por jovens da ilha, foi um dos principais responsáveis pela aprovação da nova legislação. 

Criada pelas irmãs Melati e Isabel Wijsen, que em 2016 tinham apenas 10 e 12 anos de idade, a iniciativa tem lutado durante os últimos anos para que Bali consiga se livrar do lixo plástico, através de campanhas, limpezas de praia e projetos de educação ambiental.

As duas já ganharam diversos prêmios pelo lindo trabalho que fazem, entre eles, o CNN Young Heroes Award, em dezembro do ano passado.

Bali proíbe uso de sacolas plásticas, canudos e embalagens de isopor

Melati e Isabel Wijsen, fundadoras do Bye Bye Plastic Bag de Bali

Apenas 48% dos resíduos gerados em Bali – algo em torno de 1,6 milhão de toneladas – têm destino adequado, ou seja, são reciclados ou encaminhados para aterros sanitários. O restante é incinerado ou jogado em lixões, rios e lagos.

Estima-se que cerca de 33 mil toneladas de rejeitos produzidos na ilha sejam descartados nos oceanos. Somente 7% do lixo plástico é reciclado.

Bali proíbe uso de sacolas plásticas, canudos e embalagens de isopor

Bali quer dar um basta ao lixo plástico

Cidades costeiras e ilhas têm sido os locais mais impactados pelo descarte sem controle de resíduos. A economia local é diretamente afetada. Todos os dias, milhares de embalagens plásticas chegam nas praias e o turismo sofre com isso. Turistas deixam de visitar esses lugares e hoteis e pousadas são obrigados a contratar funcionários extras especialmente para fazer a limpeza da areia.

Além disso, pescadores percebem claramente a redução de peixes nos oceanos.

Movimento mundial contra o plástico

Um levantamento recente elaborado pela ONU Meio Ambiente, em parceria com o World Resources Institute (WRI), apontou que 127 países do mundo já têm leis com restrições ao plástico. Infelizmente, o Brasil ainda não é um deles.

Seja através da proibição total ou criação de taxas e impostos sobre o comércio e a distribuição de produtos fabricados com esse tipo de material, diversos governos estão mostrando que não há mais como fechar os olhos para o problema.

A cada ano, mais de 8 milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos, provocando prejuízos à vida marinha, à pesca e ao turismo. O custo desses danos aos ecossistemas aquáticos gira em torno de, pelo menos, US$ 8 bilhões anualmente.

Só em 2016, a produção mundial de materiais plásticos foi de 280 milhões de toneladas, das quais cerca de 1/3 eram de uso único, aqueles descartáveis, que após poucos minutos de utilização, são jogados no lixo e raramente, reciclados.

Pressione o governo brasileiro!

Se você acha que é hora do Brasil seguir o exemplo do Canadá e se juntar a tantos outros países e ter uma legislação mais moderna e sustentável, faça a sua parte!

Uma pesquisa realizada pelo DataSenado, com mais de 6 mil pessoas, revelou que os entrevistados são majoritariamente a favor da proibição do uso de sacolas plásticas, utensílios descartáveis, cosméticos com micropartículas de plástico e sobretudo, canudinhos. Das pessoas que participaram da enquete no site do Senado, 83% afirmaram que são a favor de banir canudos plásticos.

É preciso pressão popular para que o projeto de lei no 263/2018 seja aprovado. Você pode dar sua opinião na consulta pública, no site do Senado, neste link.

Abaixo da pergunta “Você apoia esta proposição”, basta você clicar SIM, após fazer um breve cadastro.

Participe, compartilhe, chame outras pessoas a se engajar neste movimento para proteger o meio ambiente.

*Com informações do Gapura Bali

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Fotos: reprodução Facebook Bye Bye Plastic Bag e domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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