Baleia achada morta na Escócia tinha 100 kg de plástico e redes de pesca no estômago

Baleia achada morta na Escócia tinha 100 kg de plástico e redes de pesca no estômago

Mais uma vítima do lixo que o ser humano despeja nos oceanos. Uma baleia cachalote, de 20 toneladas, foi encontrada encalhada na praia de Luskentyre, na costa da Escócia, e a autópsia realizada pela equipe do Scottish Marine Animal Strandings Scheme revelou que o cetáceo tinha 100 kg de resíduos plásticos em seu estômago.

Dentro do corpo da baleia havia sacolas, copos e luvas feitos de plástico, além de cordas e redes de pesca. “Todo esse material estava em uma enorme bola no estômago e parte dele parecia estar lá há algum tempo”, explicaram os biólogos no Facebook.

Segundo os pesquisadores, o animal não estava em condições particularmente ruins e, embora, talvez o lixo no estômago não tenha sido a causa de sua morte, já que não foram encontradas evidência do bloqueio do intestino, ainda assim, este é mais um caso alarmante.

“Essa quantidade de plástico no estômago é assustadora. Mostra, mais uma vez, o impacto que o descarte do lixo e de redes de pescas pode provocar à vida marinha. Este é um problema global causado por uma série de atividades humanas”, ressaltou a organização ambiental em sua rede social.

Baleia achada morta na Escócia tinha 100 kg de plástico e redes de pesca no estômago

As cordas e redes de pesca retiradas do estômago da cachalote

Ameaça à vida marinha

Baleias têm sido vítimas constantes do lixo nos oceanos. Em abril, mostramos também, como uma outra cachalote, grávida, foi achada morta, na Itália, com 22 kg de plástico no estômago. Um mês antes, nas Filipinas, uma jovem baleia-bicuda-de-cuvier tinha engolido 40 kg de plástico: 16 sacos de arroz e dezenas de sacolas de compras. “Nunca tínhamos visto uma baleia com tanto plástico no organismo. É repugnante. Governos precisam fazer algo urgentemente contra aqueles que continuam a tratar cursos d’água e oceanos como lixeiras”, alertou a organização D’ Bone Collector Museum, na época (leia mais aqui).

Todavia, parece que os alertas não têm sido suficientes. Mais e mais animais marinhos aparecem mortos, sufocados pelo plástico que o homem produz e descarta, sem remorso, no mar.

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Fotos: divulgação Scottish Marine Animal Strandings Scheme

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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