Bactéria que come plástico PET pode ser solução contra poluição?

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Alguém duvida que, se a humanidade inteira fosse dizimada hoje, a natureza se encarregaria de dar um jeito em tudo que deixássemos aqui, qualquer que fosse o nível de degradação? Sua capacidade de resiliênciarecuperação e adaptação – é fantástica, como sabemos. A descoberta feita por pesquisadores japoneses do Instituto de Tecnologia de Kyoto, da Universidade Keio, em Yokohama, além de outras instituições, e divulgada em relatório na revista Science corrobora essa ideia. Eles encontraram uma bactéria que devora um dos plásticos mais usados (está presente nas malditas garrafinhas plásticas) e resistentes do mundo: o tereftalato de polietileno, mais conhecido como PET ou poliéster.

Os micróbios se adaptam a qualquer condição, por isso, se tiverem apenas uma fonte de alimento para consumir, ao longo do tempo de adaptam a ele. É o que pode ter acontecido aqui.

Encontrada em 250 amostras de sedimentos, terra e águas residuais em uma usina de reciclagem de garrafas PET, a nova bactéria quebra as ligações moleculares desse tipo de plástico e o absorve, ou seja, se alimenta dele como principal fonte de carbono. Trata-se de uma nova espécie do gênero Ideonella, à qual deram o nome de Ideonella sakaiensis 201-F6.

Os testes realizados pelos pesquisadores revelaram que essa bactéria devorou amostras de plástico em seis semanas. Mesmo muito demorada, esta ação é surpreendente se comparada com a de outros agentes biológicos. É bem possível que ela tenha desenvolvido enzimas capazes de quebrar as moléculas de PET em resposta ao contato exclusivo com o lixo plástico acumulado no meio ambiente, nos últimos 70 anos – um tempo muito curto para os padrões da biologia evolutiva.

Boa parte de todos os plásticos produzidos acabam descartados no meio ambiente, em lixões, aterros e também nos rios e oceanos. O PET responde por quase 1/6 da produção de plástico anual do mundo e é um dos poucos recicláveis e um dos mais reciclados. No entanto, de acordo com relato feito no último Fórum Econômico Mundial, apenas pouco mais da metade desse volume é reciclado de fato e uma quantidade menor ainda é, de fato, reutilizada.

Sabemos que precisamos reduzir o consumismo e, mais ainda, o consumo de plástico, que é derivado de petróleo (mais um motivo!). Ao mesmo tempo, há avanços significativos no desenvolvimento de plásticos biodegradáveis ​​e também de sistemas mais modernos de reciclagem, mas isso não nos livra dos plásticos já existentes no meio ambiente.

A descoberta dessa nova bactéria pode ajudar a resolver essa questão, mas suas aplicações potenciais ainda são incertas. Não dá pra celebrar a descoberta efusivamente, ainda, mas não devemos descartar a ideia de que ela pode contribuir com novas descobertas como a fabricação de agentes biológicos capazes de se alimentar de outros plásticos. O que já é bastante auspicioso.

Foto: Hans/Pixabay – Creative Commons

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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