Babalu é nova moradora do Zoológico de Brasília

babalu, tamanduá-mirim do zoológico de Brasília

A partir da segunda quinzena de janeiro, os visitantes da Fundação Jardim Zoológico de Brasília poderão conhecer Babalu, esta linda tamanduá-mirim da foto acima, que tem aproximadamente seis meses de vida.

A história de Babalu, entretanto, é triste. Foi resgatada pelos pesquisadores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em novembro do ano passado. A tamanduá fêmea, com apenas 4 meses, pesava menos de 2 kg e não conseguia se alimentar sozinha.

Depois de ficar sob os cuidados do hospital veterinário do zoológico, Babalu já pesa 2,4 kg e mede 93 centímetros. Quando adulto, o tamanduá-mirim, uma das quatro espécies existentes, pode atingir até 1,3 metro.

Agora Babalu já consegue comer por conta própria. A filhote se alimenta principalmente de formigas e cupins, mas no zoológico recebe também suplemento de proteínas. Infelizmente, a pequena fêmea não poderá mais voltar ao seu habitat natural. “Ela está humanizada e não teve a mãe para ensiná-la a buscar alimento e a se defender”, explica Betânia Borges, assistente veterinária da fundação. “Geralmente, filhote criado por ser humano não sobrevive na natureza”.

Em breve, Babalu ganhará companhia. Será colocada no mesmo recinto de um dos dois machos da espécie, que vivem no zoo: Jujubo, que tem aproximadamente 6 anos, ou Caramelo, com cerca de 4 anos. A intenção é que os animais procriem e ajudem na conservação da espécie.

Além do tráfico ilegal de animais silvestres, muitas espécies como tamanduá, anta, cachorro do mato e tatu são vítimas de outro grande problema no Brasil: os atropelamentos nas estradas.

De acordo com o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), 475 milhões de animais selvagens perdem a vida por ano nas rodovias brasileiras, ou seja, a cada 15 segundos ocorre uma morte. Entre as principais causas desta lamentável estatística estão imprudência de motoristas e falta de sinalização nas estradas. O fotógrafo João Marcos Rosa, nosso colaborador no Blog Por Trás das Câmeras, fez um registro tocante de uma destas situações neste outro post.

O tatu-canastra do zoológico de Brasília

Em 2016, além de Babalu, quem passear pelo zoo da capital federal poderá conhecer também Maria Bonita. Ela é uma fêmea de tatu-canastra, com pouco mais de 2 anos. Mabu, como é chamada, é o único indivíduo de sua espécie no mundo a estar num zoológico.

Esta é outra história triste. Mabu foi encontrada muito pequena, numa construção no estado de Tocantis. Foi levada para Brasília, onde recebeu tratamento. Como foi criada em cativeiro, jamais poderá ser solta na natureza. Simplesmente não sobreviveria.

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Mabu, a única tatu-canastra em zoológico do mundo

Com pouquíssimos indivíduos existentes, os tatus-canastras são espécies ameaçadas de extinção, classificadas como vulneráveis pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, da União Internacional para Conservação da Natureza. A caça e a perda de habitat são os responsáveis pelo desaparecimento destes animais: os maiores e mais raros tatus existentes no planeta.

Característicos do Cerrado brasileiro, podem ser encontrados em trechos do Pantanal e Amazônia e ainda em regiões dos Andes, Argentina, Venezuela e Guiana Francesa. O tatu-canastra ou “gigante”, como também é conhecido, pode ter até 1,5 metro de comprimento e pesar até 60 kg. Assim como o tamanduá-mirim, se alimenta predominantemente de cupins e formigas.

 

Fotos: Renato Araújo/Fotos Públicas (tamanduá-mirim) e divulgação Zoológico de Brasília (tatu-canastra)

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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