Aves, extraordinárias

Hoje (5 de Outubro) é o Dia da Ave. A data foi instituída pelo Decreto de 3 de outubro de 2002, que também define o sabiá-laranjeira como símbolo representativo da fauna ornitológica brasileira e o considera popularmente a Ave Nacional do Brasil.

É fácil entender porque tantas pessoas são amantes das aves. Elas estão sempre ativas, são belas e estão por toda a parte. É impossível não ficar encantado com a variedade de espécies encontrada no Brasil.

Escolha uma cor. Pode ser preto como o anu-preto, branco como a garça-branca, cinza como a curicaca-pantaneira, marrom como a coruja-buraqueira, verde como o papagaio-verdadeiro, amarelo como o canarinho-da-terra, laranja como o joão-pinto, vermelho como o verão, azul como o saí-andorinha ou multicoloridas como o araçari-castanho. Para cada cor escolhida existe uma ave correspondente.

Anus-pretos (Crotophaga ani) - Foto: Fábio Paschoal
Anus-pretos
Garça Branca/ Great Eagret (Ardea alba) - Foto: Fábio Paschoal
Garça Branca
Curicaca-pantaneira (Theristicus caerulescens) - Foto: Fábio Paschoal
Curicaca-pantaneira
Coruja Buraqueira (Athene cunicularia) - Foto: Fábio Paschoal
Coruja Buraqueira
Papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) - Foto: Fábio Paschoal
Papagaio-verdadeiro
Canarinho-da-terra (Sicalis flaveola) - Foto: Fábio Paschoal
Canarinho-da-terra
João-pinto (Icterus croconotus) - Foto: Fábio Paschoal
João-pinto
Verão (Pyrocephalus rubinus) - Foto: Fábio Paschoal
Verão
Saí-andorinha (Tersina viridis) - Foto: Fábio Paschoal
Saí-andorinha
Araçari-Castanho (Pteroglossus castanotis) - Foto: Fábio Paschoal
Araçari-Castanho

Os penteados são os mais diversos: o mutum-de-penacho tem crista encaracolada, a garça-real tem rabo de cavalo, o pica-pau-velho tem moicano. Também têm as que preferem investir no topete, como a seriema, e os carecas, como o urubu-rei.

Mutum-de-penacho (Crax fasciolata) - Foto: Fábio Paschoal
Mutum-de-penacho
Garça-real (Pilherodius pileatus) - Foto: Fábio Paschoal
Garça-real
Pica-pau-velho (Celeus lugubris) - Foto: Fábio Paschoal
Pica-pau-velho
Seriema (Cariama cristata) - Foto: Fábio Paschoal
Seriema
Urubu-rei (Sarcoramphus papa) - Foto: Fábio Paschoal
Urubu-rei

Os bicos, bem variados, servem para conseguir o alimento que precisam de formas diferentes. Podem ser robustos para quebrar sementes, como o das araras; finos e delicados para pegar insetos, como o das arirambas; afiados para cortar carne, como o dos gaviões; em forma de lança para pescar, como o dos biguatingas; ou até em forma de colher como o do colhereiro, que o usa para procurar micro crustáceos nas poças. Outros desenvolveram bicos com várias funções, como o tucano, que além de se alimentar de frutas usa seu longo bico para pegar ovos e filhotes de outros pássaros.

Arara-canindé (Ara ararauna) - Foto: Fábio Paschoal
Arara-canindé
Arirambinha-bico-de-agulha (Galbula ruficauda) - Foto: Fábio Paschoal
Arirambinha-bico-de-agulha
Gavião Carijó (Buteo magnirostris) - Foto: Fábio Paschoal
Gavião Carijó
Biguatinga (Anhinga anhinga) - Foto: Fábio Paschoal
Biguatinga
Colhereiro (Platalea ajaja) - Foto: Fábio Paschoal
Colhereiro
Tucano-toco (Ramphastos toco) - Foto: Fábio Paschoal
Tucano-toco

O momento mais crítico na vida de uma ave é o período em que ela está no ninho. Por isso, elas desenvolveram estratégias para proteger seus filhotes. O joão-de-barro constrói um ninho com uma entrada em L e coloca seu ovo dentro de uma câmara protegida do bico do tucano que não pode fazer a curva.

João-de-barro (Furnarius rufus) - Foto: Fábio Paschoal
João-de-barro

O bico-de-prata coleta fibras de palmeira, as costura para formar um ninho em forma de pêndulo e deixa um pequeno buraco como entrada. Quando o adulto entra no ninho o peso dele faz a entrada fechar. O japuíra constrói um ninho com a mesma estrutura, mas utiliza fungos com espessura de fios de cabelos, que coleta nos troncos das árvores.

Bico-de-prata construindo o ninho (Cacicus solitarius) - Foto: Fábio Paschoal
Bico-de-prata construindo o ninho
Japuíra voltando pro ninho com larva (Cacicus chrysopterus) - Foto: Fábio Paschoal
Japuíra voltando para o ninho com uma larva

Os pica-paus fazem buracos em árvores ou cupinzeiros para botarem seus ovos e ficarem protegidos. Aves maiores, como papagaios e araras, aumentam esses buracos e para poderem utilizá-los com o mesmo fim.

Birro ou pica-pau-branco (Melanerpes candidus) à esquerda e Papagaio Verdadeiro (Amazona aestiva) à direita - Foto: Fábio Paschoal
Birro ou pica-pau-branco (esquerda) e papagaio-verdadeiro (direita)

Algumas aves preferem fazer ninhos com gravetos, como o tuiuiú. Enquanto um dos pais sai para buscar água e comida para os filhotes, o outro fica no ninho para protegê-los contra predadores. Já o mãe-da-lua confia na camuflagem. Coloca um ovo direto na árvore e fica imóvel, fingindo que é um galho quebrado, até o filhote nascer.

Tuiuiú no ninho (Jabiru mycteria) - Foto: Fábio Paschoal
Tuiuiú no ninho
Mãe da Lua (Nyctibius grandis) - Foto: Fábio Paschoal
Mãe-da-lua

Existem aves que não constroem ninho nenhum. O quero-quero coloca o ovo no chão e ataca qualquer coisa que chegue perto dele. O joão-pinto prefere utilizar o ninho feito por outros pássaros. Já a arara-azul, que enfrenta dificuldades para construir seu ninho em uma cavidade natural, conta com a ajuda do Projeto Arara Azul, que instala ninhos artificiais nas árvores e aumenta as chances de sobrevivência da espécie. Graças aos esforços desse projeto, a arara-azul saiu da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção.

Quero-uero (Vanellus chilensis) atacando Carcará (Caracara plancus) - Foto: Fábio Paschoal
Quero-quero atacando Carcará
 João pinto (Icterus croconotus) voltando pro ninho que roubou do Bico de Prata - Foto: Fábio Paschoal
João-pinto voltando pro ninho que roubou do bico-de-prata
Arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) no ninho artificial - Foto: Fábio Paschoal
Arara-azul no ninho artificial – Foto: Fábio Paschoal

As aves estão na água, na terra e no ar. Podem nadar como o ananaí, mergulhar como o biguatinga, andar como a ema, escalar como o pica-pau-de-topete-vermelho, podem até cavalgar como a maria-cavaleira. E claro, elas podem voar.

Ananaí (Amazonetta brasiliensis) - Foto: Fábio Paschoal
Ananaí
Biguatinga (Anhinga anhinga) - Foto: Fábio Paschoal
Biguatinga
Ema com filhotes (Rhea americana) - Foto: Fábio Paschoal
Ema com filhotes
Pica Pau de Topete Vermelho (Campephilus melanoleucos) - Foto: Fábio Paschoal
Pica-pau-de-topete-vermelho
Maria-cavaleira (Machetornis rixosa) em sua montaria no Pantanal - Foto: Fábio Paschoal
Maria-cavaleira em sua montaria no Pantanal
gavião-fumaça (Heterospizias meridionalis) - Foto de Fábio Paschoal
Gavião-fumaça

As aves conquistaram todos os cantos do planeta. Sua graça, diversidade e onipresença são extraordinárias! Elas produziram um exército de entusiastas preparados para enfrentar as condições mais difíceis para observá-las na natureza. Essas pessoas podem ser uma grande ajuda na luta pela conservação desses seres alados.

Que nossos céus continuem sempre coloridos pela beleza das aves!

Fotos: Fábio Paschoal

Apaixonado por animais desde criança, logo decidiu estudar Biologia, formando-se pela USP em 2005. É técnico em turismo e trabalhou como guia a partir de 2008, tendo conduzido, por três anos, passeios de ecoturismo no Pantanal e na Amazônia. De 2011 até 2016, foi repórter e editor do site da revista National Geographic Brasil, onde nasceu o blog Curiosidade Animal (desde dezembro de 2016, aqui, no Conexão Planeta).

Fábio Paschoal

Apaixonado por animais desde criança, logo decidiu estudar Biologia, formando-se pela USP em 2005. É técnico em turismo e trabalhou como guia a partir de 2008, tendo conduzido, por três anos, passeios de ecoturismo no Pantanal e na Amazônia. De 2011 até 2016, foi repórter e editor do site da revista National Geographic Brasil, onde nasceu o blog Curiosidade Animal (desde dezembro de 2016, aqui, no Conexão Planeta).

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