Ave marinha mais velha do mundo espera um filhote aos 66 anos

Biólogos americanos não conseguiram se conter de tanta excitação e alegria ao descobrir que a albatroz Wisdom, de 66 anos, tinha retornado uma vez mais ao Midway Atoll National Wildlife Refuge, ao norte do Oceano Pacífico, e guardava uma surpresa: tinha colocado um ovo.

Wisdom, que em inglês significa conhecimento, é uma albatroz da espécie Laysan (Phoebastria immutabilis). Ela foi vista pela primeira vez em 1956 pelo biológo Chandler Robbins, que tem hoje 98 anos (e está tão bem quanto ela!). Na época, a ave marinha recebeu um anel para ser identificada e nas últimas seis décadas, Wisdom tem voltado ao mesmo local.

Os pesquisadores ficaram surpresos que a albatroz colocou um ovo porque as aves desta espécie não costumam se reproduzir todos os anos, isto porque, como passam a maior parte de sua vida voando (quase 90% dela), elas precisam investir tempo e energia trocando suas penas para que sejam fortes, explicam os biólogos da reserva de proteção.

Wisdom é a albatroz selvagem mais velha que se tem conhecimento no mundo. Estima-se que ela já tenha voado algo em torno de 5 milhões de quilômetros nos últimos 60 anos e desde 2006, deu à luz a seis filhotes. No ano passado, foi a vez de Kūkini nascer. A pequena ave, filha de Wisdom, ganhou este nome que na língua havaiana significa mensageira.

Kūkini, a fihote de Wisdom, que nasceu no ano passado

Para chocar o novo filhote, Wisdom tem a ajuda de seu companheiro Akeakamai, assim ela pode voltar ao mar para recuperar as forças depois de ter colocado o ovo. Ele ficará cuidando do ninho por aproximadamente três semanas, e após o nascimento, os dois se revezarão para alimentar a pequena ave.

Wisdom e seu companheiro, na reserva de proteção marinha no Oceano Pacífico

Assim como outras aves, o albatroz sempre volta ao local onde nasceu para se reproduzir. A reserva nacional de vida selvagem do Atol de Midway fica situada dentro do Monumento Nacional Marinho de Papahānaumokuākea, no Havaí, que no final de agosto, foi transformado pelo presidente Barack Obama no maior parque de proteção marinha do planeta, depois que ele quadruplicou o tamanho da área protegida (leia mais nesta notícia que publicamos aqui no Conexão Planeta).

No Atol de Midway está a maior colônia de albatrozes do mundo, habitat de cerca de 70% das aves da espécie de Laysan e quase 40% da Phoebastria nigripes, conhecido como albatroz-de-pés-negros ou albatroz-patinegro. Eles chegam na região em meados de outubro e por volta de novembro, são milhares na ilha. Em dezembro de 2015, os voluntários do centro de pesquisa contaram 470 mil ninhos das aves no local. Como cada ninho representa duas aves – fêmea e macho -, isso significa que a população na época era de 940 mil indivíduos.

O sucesso do reconhecimento e monitoramento de aves como Wisdom se deve ao material que está sendo usado para confeccionar os anéis de idenficação. No passado, eles eram feitos com alumínio, que acaba sendo corroído pela maresia e água do mar. Agora é utilizado plástico, que dura anos.

“É simplesmente impressionante que não somente Wisdom retorna há seis décadas, como a ave reprodutora mais antiga, livre na natureza, mas também como biólogos, aqui em Midway, conseguem manter este monitoramento ao longo de tantos anos”, afirma Charlie Pelizza, pesquisadora chefe do U.S. Fish and Wildlife Service.

No vídeo abaixo, você confere a dança de acasalamento dos albatrozes:

 

Fotos: USFWS – Pacific Region/Creative Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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