Ativista climática de Uganda é cortada de foto oficial do Fórum Econômico de Davos, e denuncia racismo. Agência se retrata

Em Davos, um grupo de cinco jovens ativistas climáticos participou do Fórum Econõmico Mundial. Todos do movimento Fridays for Future, iniciado a partir da mobilização solitária da adolescente sueca Greta Thunberg, que se espalhou rapidamente pelo mundo. Logo depois de participar de um debate, elas foram fotografadas pela imprensa e por agências de notícias. As cinco: a africana Vanessa Nakate, as suecas Isabelle Axelsson e Greta Thunberg, a alemã Luisa Neubauer e a suíça Loukina Tille. Mas, no sábado, 25/1, a foto divulgada pela Associated Press (AP) mostrou apenas quatro integrantes. Todas brancas, entre elas Greta. Apenas a jovem ugandesa foi cortada da imagem.

Indignada, e muito emocionada, Vanessa rapidamente publicou as duas imagens em seus perfis nas redes sociais. No Twitter declarou: “Já me disseram que eu devo ficar sempre no centro da foto, mas está errado! Um ativista africano tem que ficar no meio apenas por medo de ser cortado? Não deveria ser assim!”.

Sem dúvida, ter que ficar atenta a esse fato para não desaparecer é um absurdo! A ativista disse que esta foi a primeira vez em que sentiu na pele e compreendeu melhor a definição da palavra racismo, e repudiou a atitude da AP: “Por que você me removeu da foto? Eu fazia parte do grupo! A AP não apenas apagou uma foto, mas apagou um continente. Mas eu estou mais forte do que nunca”.

Em seu Instagram (abaixo), ela não disse muito, mas o suficiente: “Saio mais forte”. E saiu, mesmo!

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I come out the strongest

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Vanessa saiu fortalecida desse episódio não só porque aproveitou o fato para protestar e expor o racismo, mas também porque recebeu apoio de diversas partes do mundo. E, assim, deu ainda mais visibilidade para o tema, para a iniciativa Fridays for Future e para suas causas: a luta contra o clima, o desmatamento desenfreado na floresta do Congo, entre elas.

Suas mensagens foram super compartilhadas. Ela ganhou inúmeros seguidores em suas redes sociais: no sábado agradeceu os 102 mil no Twitter, mas hoje, são 111.800. Jornais e revistas divulgaram a notícia e sua posição rapidamente, em seus sites, e ativistas criticaram a agência, como Greta, ontem, 26/1, em seu Instagram:

Diante de tanta mobilização, no mesmo dia a editora executiva da Associated Press, Sally Buzbee, se desculpou pela atitude racista e revelou que ela foi tomada por um de seus colaboradores. “Lamentamos a publicação de uma foto, nesta manhã, que não mostrou a ativista climática ugandense Vanessa Nakate, a única pessoa de cor na foto. Como organização de notícias, nos preocupamos profundamente em representar com precisão o mundo que cobrimos”, declarou.

Segundo o jornal britânico The Guardian, Sally ainda afirmou que a AP treina seus profissionais “para serem sensíveis a questões de inclusão e omissão”. E completou: “Conversamos internamente com nossos jornalistas e aprenderemos com esse erro de julgamento”.

Sim, que este episódio repugnante sirva de exemplo não só para a equipe da AP, mas para todos nós, para que fiquemos mais atentos a situações que, com frequência, são amenizadas. Racismo é crime!

Imagem: Reprodução Instagram

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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