As tulipas holandesas que, na verdade, são… turcas!

As tulipas holandesas que, na verdade, são... turcas!

Moinhos, queijos, bicicletas e tulipas são alguns dos símbolos nacionais da Holanda. Mas a flor mais famosa do país, uma das primeiras a brotar após o inverno e que tem uma curta duração, será mesmo holandesa?

Esta foi uma das grandes surpresas que tive ao descobrir que – não, a tulipa não é originária da Holanda –, quando visitei o maior parque de flores da Europa, o Keukenhof.

A origem mais provável do termo “tulipa” vem da palavra persa turbante. Foi escolhida para denominar a delicada flor que tinha o formato semelhante ao do turbante muito utilizado pelos homens daquela região.

A planta selvagem nascia em abundância nos campos das montanhas Himalaia, mas foi na antiga Pérsia, hoje Turquia, no século XVI, que ela se tornou famosa. Os sultões do Império Otomano costumavam fazer festas na primavera em que as tulipas eram a principal atração.

Porém, foi certamente a Holanda que alçou ao mundo a beleza e a perenidade destas flores. As primeiras tulipas chegaram na Antuérpia por volta de 1560. Todavia, foi quase um século depois que ela se transformou em um sonho de consumo nacional, chamado de “Tulip Mania”, tal era o desespero dos holandeses em possuir um exemplar da rara espécie. Na época, uma tulipa chegava a valer o mesmo que um carro de luxo, se compararmos a valores atuais.

Hoje os holandeses são os mestres do cultivo dessa planta. Por isso mesmo, são os maiores exportadores globais. Em 2017, a produção bateu um recorde e foram comercializadas 2 bilhões de tulipas. Existem mais de 2 mil variedades e 100 novas são criadas anualmente.

E não há melhor lugar no mundo para ver de perto esse espetáculo de  formas e cores do que em Keukenhof. Localizado no pequeno vilarejo de Lisse, a cerca de 40 minutos de carro do centro da capital Amsterdam, o parque das tulipas planta, todos os anos, aproximadamente 7 milhões de bulbos para encantar os também milhões de turistas, em sua maioria estrangeiros, que visitam o local.

Keukenhof só fica aberto durante oito semanas. As datas variam ano a ano, pois estão sujeitas ao início da florada que pode ser afetada pelo clima. Em 2019, a temporada será entre 21 de março e 19 de maio. Fica aqui a dica: antes de planejar a viagem, confira bem o calendário do parque.

O trabalho de plantio começa em outubro. Os milhões de bulbos precisam estar sob a terra antes dos dias frios do inverno europeu chegarem. Todos são colocados em lugares pré-definidos para formarem desenhos, conforme o projeto paisagístico elaborado pela equipe de design de Keukenhof.

A área é gigantesca. São cerca de 32 hectares. Ao longo do caminho, canteiros e jardins revelam as centenas e centenas de variedades de tulipas, de todas as cores imagináveis. É realmente lindo!

E não são só tulipas em exposição! Nos jardins há outras espécies de flores e também, nos quatro pavilhões. Entre elas, jacintos, narcisos, orquídeas, rosas, cravos, íris e lírios. E dentro do parque não faltam cafés, restaurantes e lojinhas de souvenirs.

Reserve pelo menos umas três ou quatro horas para o passeio. O ingresso, que pode ser comprado online, dá a opção de incluir o transporte entre Amsterdam e Lisse. Ônibus vão do centro da cidade até o aeroporto de Schiphol, onde é feita uma troca para um ônibus que segue direto para Keukenhof.

Então, curta o dia, tire muiiiitas fotos e aproveite para provar alguns quitutes tradicionais holandeses, como croquete e o sanduíche com peixe cru!

Abaixo, confira algumas fotos para aumentar ainda mais a vontade de conhecer Keukenhof:


*E dicas sobre Amsterdam você encontra neste outro post!

Foto: domínio público/pixabay (abertura) e arquivo pessoal (demais)

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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