As mulheres, os homens e o Hijab

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A legislação impõe não somente às iranianas, mas também às turistas o uso contínuo do Hijab em espaços públicos, sendo possível retirá-lo somente dentro de casa e na companhia da família.

Isso porque o Hijab é tido como um símbolo de respeito, modéstia e proteção e é necessário o seu uso em ambientes compartilhados com homens, sob o pretexto de que é a indicação que a mulher é pura e pertence a um homem só.

as-mulheres-os-homens-e-o-hijab-1Minha experiência com a cabeça coberta não foi muito agradável (apesar da foto ao lado dizer o contrário) . Eu, que sou toda desengonçada, tive que colocar uma energia extra para manter o véu sempre no lugar, especialmente para não correr o risco de levar uma advertência ou, até mesmo, ser presa pela patrulha policial que se encarrega de caminhar pelas ruas de Teerã, a capital do país, certificando-se de que as mulheres estão cumprindo a lei ao pé da letra.

Além disso, minha cabeça coçou, fez nó no meu cabelo, senti calor e me senti incomodada com uma certa imobilidade que seu uso trouxe.

Das meninas com quem conversei, a maioria alega não gostar de usá-lo, sobretudo porque gostariam de sair com os cabelos ao vento, sem o desconforto de manter o Hijab milimetricamente posicionado todo o tempo. Até mesmo para as mais religiosas o desconforto permanece e a alternativa dada por todas elas é a de simplesmente tornar o uso facultativo às mulheres que escolherem adotá-lo, quando e como quiserem.

Masih_Alinejad_-_Aug_31,_2009Para engrossar esse coro, já existem movimentos como o My Stealthy Freedom (minha liberdade furtiva, em tradução livre), idealizado por Masih Alinejad, uma iraniana que passou a postar fotos dela sem o Hijab (foto ao lado) e engajar outras mulheres a fazerem o mesmo.

Como se isso não bastasse, agora os homens também aderiram ao movimento, no maior estilo #ElesPorElas e agora postam fotos usando Hijab no lugar de suas mães, namoradas ou esposas. As fotos, além de divertidas, têm uma força social e política fundamental para que esse tema seja reconsiderado pelas autoridades. Estão todas disponíveis no Facebook do projeto.

Por mais liberdade e oportunidades de escolha o Irã está dando uma aula de engajamento, tolerância e colaboração contra a desigualdade de gênero. E eu espero voltar lá pra celebrar novos tempos, quem sabe, já com os cabelos ao vento.

Gabriele Garcia

Sonhadora, feminista e apaixonada por pessoas e histórias. Trabalhou por dez anos como advogada e em 2014 deixou o escritório para empreender o Think Twice Brasil, cujo primeiro projeto – Experiência de Empatia – foi uma viagem de 400 dias por 40 países para se aprofundar no aprendizado e identificação de soluções para desigualdade social e de gênero. De volta ao Brasil, está à frente do Instituto Think Twice Brasil e de projetos ligados à justiça social e de gênero.

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