As flores que caem suavemente e a amizade


Você olha para o lado, para a agenda do celular e percebe que os encontros com os amigos ficaram mais raros, telefonemas viraram mensagens prontas do WhatsApp e as ocasiões onde todo mundo se revia praticamente acabaram. Sei que os estudos mostram que, com a Internet, aumentou o número de amigos, mas, para mim, a presença digital tomou muito do calor humano.

Você já deve ter lido sobre os estudos que mostram que ter amigos é o item mais importante para se viver mais e feliz. E que a amizade exerce diferentes funções entre homens e mulheres.

Para as mulheres encontrar amigas é essencial e curativo. Aumenta a produção da ocitocina, o hormônio que está relacionado a desenvolvimento de relações de confiança e que ajuda a combater entre outras coisas os efeitos do estresse.

As amigas

Este ano, especialmente, passei pelo que chamo de “Síndrome da Abstinência da Amizade”. Comecei a sentir muita falta das amigas que encontrava com frequência no passado e que, por razões diversas, não estavam tão presentes.

Com o objetivo de contar um pouco como eu estava e falar da saudade, resolvi gravar uma mensagem de vídeo falando de um trecho do meu livro de cabeceira Mulheres que Correm com os Lobos  e a fome da alma. Fiz a gravação ainda de pijama quase ao acordar, depois de uma noite mal dormida. E, sem rever o resultado, enviei para algumas amigas. O resultado foi inesperado, para não dizer engraçado.

As meninas do grupo ”Eh nóis amigas” ficaram realmente preocupadas com o teor do vídeo e avaliaram que precisavam agir imediatamente e um encontro foi agendado para o final da semana seguinte. Uma delícia regada a risadas, atualização da vida de cada uma e mais um encontro agendado. E, depois, outro e outro. Retomar o contato presencial foi um presente.

Conexão é tudo

A vida é sempre sábia e, quando a gente está com os olhos abertos, entende que ela coloca as pessoas certas nos momentos certos. E, assim, novos amigos entram na nossa vida.

A frase acima é como um lema para o meu amigo Rodrigo Bandeira que retrata neste artigo o processo que viveu e como foi a descoberta da importância dos encontros presenciais, hoje. Um alimento que para você receber tem que também plantar.

Diferente do encontro com as amigas, o encontro com os amigos traz energias e visões de mundo complementares que também dão força para vivermos nessa era de transição.

Não tenho dúvidas que, quando reencontramos os amigos verdadeiros – não importa se passamos um dia ou dez anos longe deles – a reconexão é imediata.

Poderia contar aqui inúmeras histórias desses reencontros e que me inspiraram a criar uma meta na minha agenda: encontrar um amigo presencialmente por semana. Como o ano tem 52, garanto pelo menos esse número de conversas nutridoras ao longo do ano. Foi colocar o assunto na pauta (no foco) e reencontros memoráveis começaram a acontecer.

Pesquisando sobre o assunto, achei uma apresentação de um TEDWomen (que você pode assistir no final deste post) absolutamente imperdível e divertido com Jane Fonda e Lilly Tomlin, amigas inseparáveis há décadas, que contam porque valorizam essa relação, as diferenças entre amizade masculina e feminina e o significado de viver bem (Tem legenda em português; basta alterar em configurações).

A ideia para este post veio de uma caminhada no Clube Escola Pelezão, no bairro da Lapa. Quando saia da ginástica, fiquei emocionada ao ver que as flores da sibipiruna e do jacarandá mimoso caiam suavemente e formando um tapete no caminho. Fiquei tentando gravar um vídeo com o celular para eternizar aquele momento. Lembrei-me do livro As Folhas Caem Suavemente – emprestado por uma amiga também blogueira aqui no Conexão – a Rita Mendonça, do blog Ser Criança é Natural –  que me tocou profundamente ao valorizar, entre outras coisas, a vivacidade das experiências diárias e a gratidão.

As flores amarelas da sibipiruna e arroxeadas do jacarandá mimoso caiam como chuva de bençãos sobre a minha cabeça. Sentei-me no banco e agradeci por aquela outra demonstração de amizade.

P.S. Uli, meu parceiro na vida e neste blog, está em viagem e só conseguiu assistir as primeiras chuvas de flores da primavera.

Zuzu é jornalista pioneira na área de comunicação sobre sustentabilidade. Criou programas e séries mostrando como viver de forma sustentável no dia-a-dia. Conselheira de várias ONGs e instituições, dirige a Planetária Casa de Comunicação

Maria Zulmira de Souza

Zuzu é jornalista pioneira na área de comunicação sobre sustentabilidade. Criou programas e séries mostrando como viver de forma sustentável no dia-a-dia. Conselheira de várias ONGs e instituições, dirige a Planetária Casa de Comunicação

2 comentários em “As flores que caem suavemente e a amizade

  • 14 de novembro de 2017 em 2:51 PM
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    AMEI O ARTIGO. QUE MOMENTO LINDO! VALEU ZULMIRA!

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    • 22 de novembro de 2017 em 4:24 PM
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      Oi querida que bom que gostou! Compartilha esse momento único, se puder, com mais pessoas.!

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