As festas juninas contam a história do nosso povo para as crianças

Junho chegou e o que vem com ele? As bandeirinhas, muita comida boa, danças e a luz da fogueira. É tempo das festas juninas em muitas regiões brasileiras. É importante resgatar as raízes desta comemoração, que vai muito além de datas religiosas.

Apesar das festas atuais serem marcadas pelas homenagens a Santo Antonio, São João e São Pedro, a origem das festas juninas é muito anterior à era cristã. Muitas etnias de povos originários do Brasil faziam importantes rituais durante o mês de junho, muito antes dos portugueses aportarem por aqui trazendo suas influências.

Essas festas estão relacionadas ao solstício de inverno por aqui. As noites ficam mais longas, os dias mais frios, o vento mais gélido, dependendo da região. É época de colheita, de orações, de festa, de abundância. As festas juninas celebram mais um ciclo da natureza.

Também no hemisfério Norte estas celebrações são muito antigas, também relacionadas aos ciclos da natureza e à esperança de boas colheitas. “Na Europa, os cultos à fertilidade, em junho, foram reproduzidos até por volta do século 10. Como a igreja não conseguia combatê-los, decidiu cristianizá-los, instituindo dias de homenagens aos três santos no mesmo mês”, diz a antropóloga Lucia Helena Rangel, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Com a chegada dos portugueses, os costumes foram se misturando. Para nós, na atualidade, o fogo chega para iluminar e aquecer as noites frias. Abre-se o tempo de fogueiras. É também o momento de reunir a comunidade ao redor do fogo para comer, dançar e brincar. E, como já falamos muito neste blog sobre brincar com fogo: é necessário para aprender sobre o mundo, sobre você mesmo, sobre ter cuidado e sobre a responsabilidade com sua segurança e de quem está por perto. Sobre a impermanência, sobre a eterna dança dos elementos, sobre o fogo da vida que nos forma sem cessar.

Também é tempo de comida gostosa, e principalmente tempo da colheita do milho. Já ouviu aquele ditado: “Plantar em São José para colher em São João”? A festa de São José acontece em março, fim de verão, em muitas regiões também é o tempo das últimas chuvas. É mais um ciclo encerrando. É mais um ciclo começando. A colheita do milho em junho se revela na culinária: canjica, bolo de fubá, milho cozido, pamonha.

Por isso, as festas juninas são a expressão da mistura que somos: negros, indígenas, europeus, caipiras, caboclos…

Viver essa festa também é contar para as crianças sobre nosso povo, que reúne heranças de muitas tradições do mundo todo. É uma dança que veio daqui, uma comida que veio dali. E tudo isso vem com recheio de histórias, memórias…

Viver e celebrar é parte da nossa tradição, que se formou e não cessa de se recriar, a partir da intimidade com os ciclos naturais, da observação, da interação e da intervenção neles, com reverência, respeito e cuidado.

As festas juninas nos ajudam a manter vivo o fio de nossa própria história.

Foto: Eduardops93/Pixabay

Ana Carolina Thomé e Rita Mendonça

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto "Ser Criança é Natural" para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

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