Árvores… ou a falta delas

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Se você já plantou uma árvore então você é um artista. Cada um dos voluntários que ajudou a plantar sete mil carvalhos na cidade de Kassel, na Alemanha, em 1982, também era. O plantio foi e continua sendo a obra. Perene. Uma ideia de um dos mais influentes artistas do século XX, Joseph Beuys. Ele e sua habilidade e vontade para transformar a sociedade. Ele e essa sua ideia do que a arte é. Não precisa estar na tela, no colorido, na forma, na perspectiva. Melhor, está na perspectiva sim. Na perspectiva com que se olha o ato, o pensamento, o sentimento, o conceito. Está nas perguntas e respostas. Ou na falta delas. No vácuo, no buraco que se 7 mil carvalhos Joseph Beuys#forma quando a cidade se esvazia em cinza e concreto. Se enche de gás carbônico e raízes de troncos cortados para dar lugar às calçadas lisinhas.

Não podemos tropeçar naquelas bolotas de raiz que se levantam da terra porque não conseguem domar esse estranho e desconhecido impulso de crescer. Parecem invadir o nosso espaço, assim como as pedras de basalto que Beuys colocou ao lado de cada carvalho.

O que muitos taxaram como feio, para ele era a representação das duas principais e opostas características dos elementos da natureza: pedra e árvore. Uma sempre estável, outra sempre mutante, convivendo harmoniosamente.

Por que nós, então, mutantes também não tomamos o mesmo trilho? Por que nos deixamos ser atropelados? Por que não interrompemos essa máquina e transformamos a trilha em escada para salvar um pobre animalzinho que só consegue se refugiar da balbúrdia quando dá sorte de encontrar uma árvore solitária?

Photo © 2016 pejac—All Rights Reserved

Essa arte branca e negra do espanhol Pejac, que sai pelas ruas, mas também pelas galerias do mundo, espalhando sua forma irônica de protesto, não há como deixar de dizer, lembra o trabalho do colega de arte de rua megacitado Banksy. Pejac diz que a comparação colaborou para que ele encontrasse seu próprio caminho.

Poesia e surrealismo crescem entre esses troncos personificados. Humanos desesperadamente desumanos… Seres inacreditáveis que se decepam a si mesmos. Derrubam-se pela floresta densa de autêntica incompreensão. Abarrotada dessa ilusão monetarizada em campos de floresta artificial de eucaliptos. Da barulhenta madeireira. Da fedorenta indústria de papel. Da bela paisagem verde que vai sendo comprada e engolida pelos turistas. Da… Da lista interminável de plantas que tentamos com a cara mais lavada salvar da extinção para expor essa louvável atitude na nossa estante das práticas de boas ações e, assim, ganhar algo mais do que ar, já que só ele não parece ser suficiente.

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Quem é essa envergonhada e bela mocinha, vendada e bem-vestida? Será que ela percebe, sente, respira?  Há alguém enraizado na alma dela que se mantém à espreita? Por que a necessidade dessa mão pensadora e julgadora? Só assim nos contemos? Nessa sua arte meio ingênua, posada e programada, o fotógrafo e artista digital norueguês Erick Brede tenta nos fazer cavar respostas e brotar algo em nós. Será que teremos  frutos saudáveis? Precisamos. Esperamos…

Acho que Erick acredita em nós. Afinal ainda fazemos parte dessa natureza. Quem sabe se nos víssemos como folha, como tronco, como raiz, como terra… Ele nos pensa como veículo de transporte não poluente, como a seiva que leva alimento, como elemento integrador. Por que, Erik, essa surrealidade não se transforma em real? Por que a utopia uma só vez não dá um passo na nossa direção? Por que todos não viremos artistas plantadores de árvores e  derrubadores daquelas insustentabilidade concebidas pelas nossas mãos?

Imagens: divulgação artistas

Se tiver arte, tá tudo bem. E se puder usá-la como gancho para falar de questões sociais e ambientais, tanto melhor. Jornalista, tradutora, fez reportagens para grandes jornais, revistas, TVs. Além de repórter, foi produtora, editora e editora-chefe. Não, não renega sua especialização em Marketing. Resolveu tirar da experiência subsídios para criticar o consumismo desenfreado. Mas, sem dúvida, prefere os simpósios, palestras e cursos livres de arte que vive respirando por aí. Isso quando não está em alguma exposição, espetáculo ou fazendo docinhos indianos para resgatar as origens

Karen Monteiro

Se tiver arte, tá tudo bem. E se puder usá-la como gancho para falar de questões sociais e ambientais, tanto melhor. Jornalista, tradutora, fez reportagens para grandes jornais, revistas, TVs. Além de repórter, foi produtora, editora e editora-chefe. Não, não renega sua especialização em Marketing. Resolveu tirar da experiência subsídios para criticar o consumismo desenfreado. Mas, sem dúvida, prefere os simpósios, palestras e cursos livres de arte que vive respirando por aí. Isso quando não está em alguma exposição, espetáculo ou fazendo docinhos indianos para resgatar as origens

Um comentário em “Árvores… ou a falta delas

  • 26 de outubro de 2017 em 3:23 PM
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    OLA ! GOSTEI MUITO DOS COMENTÁRIOS DE TODOS VCS. QUANTO AS ARVORES É MUITO
    TRISTE SE VER CORTANDO AS, SEM UM PINGO DE RESPEITO E AMOR, POR ELAS. É UMA
    PENA DE VERMOS ELAS SENDO CORTADAS E ARRANCADAS DA FORMA MAIS CRUEL.
    ADORO AS ARVORES E FLORESTAS. ONDE MORO TEM UM PARQUE, E SEMPRE PLANTO
    ALGUMAS MUDAS NELE.
    TENHO UM CURSO PRATICO DE REFLORESTAMENTO. TRABALHEI UNS 10 ANOS OU MAIS,
    COM PLANTIO DE FLORESTAS.
    AGORA ELABOREI UM PROJETO, QUE PRETENDO COM ELE FAZER UM GRANDE REFLO-
    RESTAMENTO COM 4.000.000 DE MUDAS DE VARIAS ESPECIES. ONDE CADA PESSOA
    DEVE COLABORAR COM APENAS CR$10,OO REAIS, E RECEBER UM CERTIFICADO COMO
    CONTRIBUINTE COM O MEIO AMBIENTE.E REDUÇÃO DO EFEITO ESTUFA.

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