Artistas cancelam shows em protesto contra lei anti-LGBT na Carolina do Norte

maroon 5 cancela shows em protesto contra lei anti-LGBT na Carolina do Norte

O Maroon 5 anunciou na sexta (20/05) que irá cancelar os shows que faria nas cidades de Charlotte e Raleigh, ambas na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. A banda se junta ao grupo de artistas que desistiram de suas apresentações no estado americano depois que foi aprovado por lá uma lei que obriga pessoas transgêneros e gays a usarem banheiros públicos indicados para o seu sexo de nascimento e não à sua identidade de gênero. A legislação altera ainda a definição de sexo no estado para “a condição física do ser homem ou mulher, indicada na certidão de nascimento de uma pessoa”.

Promulgada no final de março pelo governador republicano Pat McCrory, a BH2, como está sendo chamada (House Bill 2) também proíbe os municípios do estado a adotar políticas contra a discriminação.

Desde que a lei entrou em vigor, diversos artistas já anunciaram publicamente o cancelamento de seus shows na Carolina do Norte, entre eles, Bruce Springsteen, Demi Lovato, Pearl Jam, Ringo Starr e o grupo canadense Cirque du Soleil. E não é só. A repercussão da decisão equivocada (para dizer o mínimo) de McCrory está impactando a economia também. Apple, Bank of America, Marriott, Starbucks e Facebook se pronunciaram contra a medida e a PayPal anunciou que não irá mais investir no estado.

“Não queremos castigar nossos fãs da Carolina do Norte ao não nos apresentarmos, mas no fim o que importa é o que sentimos ser moralmente correto”, afirmou o Maroon 5 em sua página no Facebook.

Apesar de recentemente o governo americano ter divulgado que irá inaugurar um monumento nacional que simbolizará as lutas do movimento LGBT (sigla que representa as iniciais de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros), assim como mostramos aqui no Conexão Planeta, e do presidente Barack Obama ter sido um árduo defensor destes grupos, os estados americanos têm autonomia para criar suas próprias leis e alguns deles, principalmente aqueles de extrema direita, governados pelo republicados, ainda são extremamente conservadores.

Avanços nos direitos LGBT no Brasil

Enquanto na Carolina do Norte o estado retrocede para garantir os direitos de sua população, independente de qual seja sua opção sexual, em São Paulo, o governo municipal inaugurou na sexta (20/05) uma nova Unidade Móvel de Cidadania LGBT. A van itinerante oferece apoio psicológico, jurídico e social, além de testes rápidos de HIV e atividades culturais. Esta é a segunda unidade que chega às ruas da capital paulista e circulará pela região do Campo Limpo, M’Boi Mirim, Parelheiros, Capão Redondo e Santo Amaro, na zona sul da cidade.

“Temos que combater toda e qualquer forma de intolerância. A gente sabe que a comunidade LGBT sofre muita intolerância, que às vezes começa dentro de casa, às vezes a pessoa é expulsa de casa, da escola, do mercado de trabalho, e restam poucas alternativas para a pessoa se desenvolver como ser humano”, disse o prefeito Fernando Haddad. “A unidade móvel ajuda a resgatar trajetórias que foram interrompidas e que podem ser retomadas com o apoio do poder público”.

A Unidade Móvel de Cidadania LGBT funciona de quarta-feira a domingo, das 18h às 23h. O atendimento é feito por agentes de direitos humanos, que também realizam encaminhamento para acompanhamento no Centro de Cidadania LGBT de Santo Amaro.

A outra van fica localizada no largo do Arouche, no centro de São Paulo. Diariamente, cerca de 50 pessoas são atendidas nela. A prefeitura promete que outras três unidades móveis serão inauguradas para dar suporte às zonas leste, oeste e norte da capital.

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Foto: divulgação Maroon 5

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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