Artesãos do Quênia transformam chinelos jogados no mar em bichos incríveis e coloridos

Artesãos do Quênia transformam chinelos jogados no mar em bichos incríveis e coloridos

No lugar de conchas, lixo. É isso que as ondas do mar têm trazido para as praias do mundo todo. Ou melhor, devolvido. Garrafas plásticas, canudos, embalagens, sandálias de borracha e outras dezenas de resíduos que o ser humano descarta em qualquer lugar e acabam sendo levados para o oceano. É a natureza nos mostrando o resultado do nosso consumo excessivo e insustentável no planeta!

Assim como em outros lugares, a costa do Quênia, na África, também recebe o lixo, sobretudo, o plástico, trazido de volta pelo mar. Mas lá, o que era resíduo, é transformando em obra de arte: através das mãos talentosas e a criatividade de artesãos locais, milhares de sandálias de borrachas viram lindos e coloridos animais.

O projeto Ocean Sole – Flip the Flop nasceu em 1999, quando a bióloga Julie Church decidiu encorajar famílias da comunidade de Kiwayu a produzir os bichos com as sandálias coletadas na areia. A intenção dela era criar um negócio social, que gerasse renda para os artesãos e ainda, provocasse impacto social, neste caso, atrair a atenção das pessoas para a conservação dos oceanos e dos animais.

Depois de coletadas nas praias, as sandálias são enviadas para a sede da Ocean Sole onde areia, óleo e outras sujeiras são retiradas. Após este processo, o material é pesado e os catadores são pagos pelo quilo de “lixo”. Em seguida, as sandálias são lavadas com um detergente ecológico e separadas por cor, para finalmente, se tornarem matéria-prima para a imaginação dos artesãos.

A coleta das sandálias na praia

Os pedaços de borracha são colados, e pouco a pouco, as esculturas surgem: hipopótamos, lulas, ursos, vacas, elefantes, girafas … De todos os tamanhos imagináveis!

O que era lixo vira matéria-prima

Nestes últimos 13 anos, a Ocean Sole já tirou do mar do Quênia mais de 1 mil toneladas de sandálias plásticas – 500 mil unidades por ano – e garantiu uma renda fixa a mais de 900 pessoas. Além disso, 10% dos recursos obtidos com a venda dos produtos são doados para programas de conservação marinha.

Lindos e coloridos: feitos com borracha de sandálias encontradas no mar

O trabalho magnífico feito por esta organização ganhou ainda mais exposição nos últimos dias, quando o vídeo que você assiste mais abaixo, foi divulgado no Facebook e viralizou. Em poucos dias, ele já teve mais de 52 milhões de visualizações. E a Ocean Sole recebeu mais de 1 milhão de pedidos e perguntas sobre seus produtos.

O mundo está sedento por bons exemplos e este é certamente um deles!

Escultura feita em homenagem ao último rinoceronte branco do planeta,
que morreu em março

O que era lixo vira arte

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Fotos: divulgação Ocean Soles

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

3 comentários em “Artesãos do Quênia transformam chinelos jogados no mar em bichos incríveis e coloridos

  • 5 de junho de 2018 em 5:55 PM
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    É por aí, gente boa, um luxo esse lixo!

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  • 8 de julho de 2018 em 10:06 PM
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    Fantástica iniciativa de artesoes no Quênia,mostra que inteligência e boa vontade não precisam vir de países ricos (geralmente os mais poluidores)

    Resposta

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