A família protetora das ariranhas

ariranhas

Durante o ato de fotografar são muitas variáveis: composição, enquadramento, comportamento, olhar dos animais, harmonia das cores… Além das questões técnicas de fotografia, que demandam muita atenção, como, foco, exposição, velocidade, abertura e talvez, o mais dinâmico: o enquadramento.

Tudo muda rápido e o tempo todo!

Por estes motivos, muitas vezes, só percebo algumas informações depois que descarrego as fotos e olho com atenção cada uma delas.

Foi o caso desta numerosa família de ariranhas. Não havia como saber ao certo a quantidade porque elas estavam em movimento constante. A todo momento saíam e entravam ariranhas no meu campo de visão e a cada instante, a contagem era diferente.

As ariranhas vivem em grupos. São muito brincalhonas entre si e bastante curiosas. Já tive muitas oportunidades de registrar estes belos mamíferos, porém nunca nesta quantidade.

Umas caminhavam sobre as outras, cochilavam e acordavam com um olho de muito sono. Cenas às vezes hilárias, com os filhotes e adultos fazendo do barranco um tobogã. A voz das ariranhas lembra o choro de um nenê, ficava parecendo um berçário meio anarquista, que tornava o ato de fotografar por vezes difícil pela vontade de rir das cenas que eu estava vendo.

Os adultos, mesmo brincalhões, cirandavam o tempo todo para que nada de mau acontecesse com os pequenos.

Fiz várias imagens deste parquinho das ariranhas durante uma das minhas viagens ao Pantanal para fotografar onças.

No computador, com calma, pude notar um padrão no comportamento que é visível nesta foto, em que algumas ariranhas estão olhando para trás na vegetação da margem do rio e uma está olhando para mim no barco.

Me dei conta da preocupação delas com relação aos predadores, que vem da parte seca e com certeza, a maior preocupação coincidia com a minha, mas de maneira oposta.

Eu queria ver onças, como de fato vi várias e com certeza, era a última coisa que elas gostariam de ver!!

Foto: Zig Koch

Zig Koch

Fotógrafo profissional com ênfase em imagens de natureza, turismo e viagens. Autor de 14 livros e 25 exposições individuais, sendo quatro internacionais. Percorreu todos os biomas brasileiros, viajou para vários países de outros continentes, fotografando para revistas, ONGs e empresas.

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